quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

"ELE É O CARA"

Esses dias me deparei com postagens repercutidas na rede social de uma frase que o Papa Francisco pronunciou ao falar sobre o caso de mães que tiveram filhos sem um compromisso de casamento. A frase do papa que foi compartilhada dizia o seguinte: “Não existe mãe solteira. Mãe não é estado civil.” A frase do Papa foi elogiada e, mais ainda, muitos comentários diziam ser ele “o cara.”
E não é para menos. O Papa Francisco tem se mostrado um bom articulador, conciliador, um bom frasista, por sinal. Se não fosse Papa, poderia ter sido um grande profissional do Marketing.  As frases que diz,  são muito bem aceitas, porque é uma expectativa das pessoas, soam bem aos ouvidos e, assim, o Papa torna-se como um garoto propaganda de si mesmo, atraindo consumidores daquilo que estão acostumados a consumir. 
Mas até que ponto essas palavras de constatações daquilo que todo mundo sabe e espera tem mudado a vida das pessoas ou as tem levado a refletir sobre uma mudança de olhar ou uma necessidade de conversão?
O fato é que, o "remédio" não está fazendo efeito.  Alguma coisa precisa fazer mal, para despertar o bem. Por mais discutível que seja essa afirmação, pontuemos o fato de que, se o remédio não fizer mal à doença, não surtirá nenhum efeito de cura; se o sapato não produzir o calo, que necessidade há de trocá-lo?
Vivemos  numa sociedade em que as pessoas se acostumaram com o que é “politicamente correto” e isso tem sido prática comum em todos os setores dominantes do sistema, produzindo um comportamento e uma disposição mental de que “as coisas para serem boas, precisam ser confortáveis para si mesmas.”


Não é algo relevante ouvir de um líder religioso de que, "mãe não é estado civil" pois, quem poderia contrariá-lo nessa afirmativa? Uma afirmativa óbvia não mexe com o comportamento das pessoas, não promove nenhuma reflexão a respeito dos fatores que levam uma moça engravidar antes do casamento, sem uma orientação sobre o que pode ser um drama futuro de educar esse filho  e encaminhá-lo com segurança.
As estratégias de conquistar popularidade do Papa, tem dado certo pelo olhar superficial. E para ele, é importante que assim o seja. 
Poucas frases e pensamentos ditos pelo Papa são levadas para o campo da polêmica ao se tratar do óbvio, previsível, esperado. 

Olhando um pouco lá atrás, quando Jesus disse que "veio ao mundo para trazer espada", na essência, Ele falava de cura. Quando dizia que "veio trazer guerra, e não paz", Ele falava de mudança de vida. A zona de conforto não leva o homem a refletir sobre a sua condição de vida. O que Cristo veio trazer ao mundo, foi uma espécie de sacudidura individual daqueles que tinham acesso à sua palavra e mostrava a eles a saída para seus dramas e conflitos.
Levando em consideração o que as pessoas passavam em sua vida, as palavras de Jesus que levavam conforto, ao mesmo tempo, despertava perplexidade nas pessoas que estavam acostumadas a outras práticas.

“Bem aventurados os que choram, porque serão consolados”; Bem-aventurados os pobres de espírito porque eles verão a Deus”... entre outras.

Aos nossos olhos parecem palavras amáveis e confortadoras, mas dizer isso aos  que esperam resolver tudo do seu jeito e pagar com a mesma moeda suas ofensas ou explorações, é uma espada; em vez de trazer paz, perturba, porque é o contrário das expectativas e da realidade que os homens aprenderam viver. Essas palavras eram como "chicote" para os poderes que imperavam, pois mostravam as pessoas um futuro além do que podiam imaginar. Por isso Cristo não foi visto com bons olhos pelos poderes dominantes, nem ovacionado e atraído pelos que se punham nos pedestais de sua própria glória. 

Mas é essa espada e essa perturbação, que promoverão a cura e a paz.

As palavras de Jesus é alento apenas a quem o conhece. Será conforto para quem se dispuser a conhecê-lo; será paz a quem a praticar. Aqueles a quem não é permitido conhecer de fato os seus planos, suas palavras serão sempre um desconforto. E ao invés de buscar conhecê-las, buscarão um paliativo para suas perturbações em outras fontes. 

Em muitos casos, é preciso ferir para restaurar. Declarar guerra para mudar. Senão, ao invés de remédio, estaremos administrando “placebos”, que confortam a mente pela crença de que está tudo bem, mas o efeito não é sentido plenamente.


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