terça-feira, 25 de dezembro de 2012

APARÊNCIAS, NADA MAIS?


Antes de tudo, é preciso que cada um esteja bem resolvido consigo mesmo, assim a tomada de decisões virá por uma condição consciente, não apenas porque foi sugerida.
O que pode te fazer feliz?

A  motivação deve estar além das palavras mágicas, eu quero, eu posso, eu consigo. Essas sugestões podem até ajudar, mas não se bastam. Este é um assunto que ganha terreno em todas as esferas, inclusive no mundo religioso.   O sucesso na vida não dependeria apenas desse exercício mental, se paralelamente o indivíduo não estar consciente de suas verdadeiras querências, sonhos e motivações. Se trabalharmos dentro do campo das possibilidades, jamais viveremos a vida desejando algo que queremos, mas usufruindo tudo aquilo que necessitamos.

Num mundo onde as aparências  são  a  referência para se classificar o indivíduo, deixamos de lado as percepções em relação a nós mesmos, o que há de valor em nós e lutamos para nos identificarmos com as expectativas impostas pelo meio no qual vivemos. É preciso parar para ouvir a voz do coração, diante dos burburinhos gerados pela sociedade moderna, que cada vez mais retrocede nos princípios do que realmente tem valor para o ser  humano. Os padrões de beleza e moda são ditados pelo mercado, que se enriquece, estimulando mudança de estética, de hábitos, de comportamento. Tentam impor que aceitemos o que eles determinam como nova “mentalidade” sugerindo que faz parte da modernidade.
O que é necessário, torna-se ostentação.
Em muitos casos, passamos a querer o que não podemos, pois o nosso querer pode ser formatado por "querências" sugestionadas. Assim  tornamo-nos "escravos" de um trabalho intenso para alcançar o que aprendemos a desejar, pelo exercício do sonho, da imaginação. Esse aspecto é bem trabalhado pelas agências de publicidade que vendem seus produtos, sugerindo não uma necessidade real, mas imaginária. Outros conseguem adquirir pela facilidade de seu poder aquisitivo, mas como todos, acabam buscando ostentação. Não importa o grau alcançado na escala social, cada um busca adequar-se como pode às sugestões que recebe. Mas qual o problema em sonhar? Na verdade devemos estar cientes e plenamente convictos de nossa aceitação, por isso é importante olhar para nós mesmos não com o olhar superficial ou meramente estético. Precisamos sair da superfície e nos reconhecermos como pessoas plenamente atuantes e capazes de fazer a diferença numa sociedade embebedada e quase controlada à distância por controles desconhecidos manuseados por mãos invisíveis. É preciso parar um pouco, observar, considerar, questionar, para não corrermos o risco de engrossarmos o coro da ignorância, da subserviência. Um homem é avaliado por seu status, por sua posição social, pelos bens adquiridos, pelas roupas que usa. A mulher é avaliada pelo corpo, por suas curvas exuberantes,  e  há quantas  sentindo-se mal, fazendo de tudo para adequar-se às medidas daquela que  aparece  nos comerciais de cerveja, da dançarina daquele programa de auditório. O sentimento  de baixa auto-estima, a sensação de rejeição ou o desejo de conquistar está comumente relacionado à questões externas. O tratamento para resolver essas questões dificilmente começa de dentro para fora, mas de fora para dentro, exatamente porque passamos a nos condicionar a isso. É o resultado da manipulação generalizada. Antes de tudo é preciso que cada um esteja bem resolvido consigo mesmo, assim a tomada de decisões virá por uma condição consciente, não apenas porque foi sugerida.

Consumismo pode manifestar desajuste na alma.
Certa vez ouvi de um artista nordestino uma frase muito marcante: “Por que eu tenho que comer caviar só porque tenho dinheiro pra comprar? Eu gosto de sardinha frita e como sardinha frita”.  Por outro lado vemos pessoas querendo algo que está fora de seu alcance e se esforçam de tal modo a adquirir, a consumir, a possuir, só para estar na moda. Naturalmente a sugestão é que o status valoriza as pessoas. Pelo contrário: você é quem valoriza o status, é você quem dá o tom, é você quem direciona suas  ações diante do status. Pode continuar dirigindo um carro popular, mesmo tendo condições de dirigir um importado sem se importar com isso; ou dirigir um importado, mantendo a mesma postura de quando dirige um popular. É você quem direciona o seu comportamento. ”É comer sardinha frita porque gosta, a comer caviar só por que dizem que é chique”.    

Isso certamente faz uma grande diferença em nossa vida. O contentamento com o nosso corpo valoriza-o. O contentamento com a nossa condição de vida, torna-a menos problemática e com disposição prazerosa.  Porque é algo que vem de dentro para fora. É preciso assumir o que somos para valorizar o que temos, seja o que for, não importando de que maneira o olhar alheio nos julgue.  E se desejarmos algo mais,  o faremos por uma necessidade real, não por uma sugestão ilusória. Do contrário, vamos viver de aparências, nada mais!




segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

QUE NATAL É ESSE?



Esta não é uma realidade distante de nós

Quisera todos fizessem um Natal diferente. Que estivessem na casa do choro, não na casa da alegria; na casa da escassez, não na casa da fartura.    

O Natal dela parecia como os outros tantos que passou. Foi assim que aprendeu. Ceia, guloseimas, bebidas. Natal sem comida, Papai Noel e árvores enfeitadas de luzes e presentes, não era Natal. Mas algo começou a mudar na vida dessa jovem, que aos 23 anos,  teve o natal mais emocionante de sua vida. Não aquela emoção costumeira de estar reunida em família assentando-se diante de uma mesa farta como se faz naturalmente nesse período do ano. Mas foi uma emoção diferente. 


Mesa farta, indispensável na comemoração natalina.
Ela decidiu passar o natal num orfanato. Reuniu uma turma de amigos que compartilhavam a mesma ideia para então conseguir todos os meios e recursos para cear com 60 crianças, sem pai e mãe.



Em muitos outros natais, ao levantar-se da mesa e caminhar para perto da janela de seu prédio, olhava nas calçadas, meninos e meninas de rua, revirando restos de alimentos nos latões de lixo. Seu coração ficava apertado ao ver aquela cena. Ela tinha muita vontade de levar alguma coisa para aquelas crianças, mas seus pais e os parentes que se reuniam para a comemoração, diziam que aquelas crianças eram perigosas pois poderiam ser usadas por adultos criminosos e alguma aproximação com elas, poderia despertar a atenção de assaltantes, por ela pertencer a uma família rica. Mas foi a partir daí que a jovem começou a fazer planos de passar um natal diferente. Não agüentava saber que tendo tanta fartura em sua mesa, havia alguém, naquele momento, mendigando um pedaço de pão. A cada porção que colocava na boca, a cada gole de bebida, parecia doer na alma, talvez mais que a dor da fome daqueles que não tinham o que comer. 
O contraste
Enfim chegou o Natal. Ela foi a única da família a não participar da ceia daquele ano. A contragosto da família, juntou sua mesada durante todo o ano, e na companhia de amigos rumaram para um orfanato. Lá, deparou-se com o retrato da realidade que ela não conhecia de verdade. Criada num lar com todo conforto, agora estava diante de crianças sem pai e mãe, indesejadas no mundo, sem afeto e sem amor. O que elas teriam naquela noite  era apenas um simples pão com manteiga, uma laranja e um copo de refresco de uva. Ao virem tanto alimento chegando, seus olhinhos brilharam; algumas, timidamente, encolhiam-se no cantinho da parede, sem saber como receber os presentes que ganhavam. Alguns, nem sabiam como usar. 


Com o coração alegre, transbordante de tanta emoção, aquela jovem prometeu a si mesma fazer um natal diferente. 

Se nessa data comemora-se o nascimento de Jesus, nada mais importante que fazer o que Ele fez: Curar as feridas; dar de comer ao faminto, a água ao sedento; atender aos pobres e necessitados. Para ela, a fartura do Natal sem o compartilhamento e a compaixão com o próximo, é um contraste ao que o homenageado da data ensinou quando aqui esteve. 
Quem fará a um desses pequeninos?
 Quisera todos fizessem um Natal diferente. Que estivessem na casa do choro, não na casa da alegria. Mas aprendemos, desde cedo, a cortejar a imagem da beleza e desprezar aquilo que nos ensinam ser feio. Quisera todos fizessem um natal diferente. Que desejassem saúde, fartura e boa sorte com ações em favor dos moribundos, dos desvalidos e sem rumo na vida. Abraçar não só aos amigos, aos  chegados, mas aos arredios que por sentirem-se "desajustados" ou tímidos, não sabem se aproximar. É chamar para a festa aqueles que estão do lado de fora, ou com espírito altruísta ir, onde eles estão. Que o pão seja dividido não apenas com aqueles que os tem, mas com aqueles que padecem de fome. 

Este 'natal diferente', certamente foge aos apelos que conhecemos; certamente sairíamos da “linha”; ignoraríamos etiqueta, quebraríamos protocolos e paradigmas. Mas foi exatamente isso que Jesus fez quando entre os homens esteve.

sábado, 22 de dezembro de 2012

E QUANDO A FESTA ACABAR?



Se você faz da sua busca o motivo para viver, o que fará depois de encontrar o que tanto quer?

Importa o que vem depois?
             Ele vinha cambaleante pelas ruas, ainda com uma lata de cerveja na mão. Perdeu o último ônibus para casa e dividia a rua com cachorros que se encontravam para fuçar as latas de lixo a procura de comida. Suas roupas estavam suadas, com manchas parecia da bebida que consumia. Ele havia pouco tempo antes curtido uma festa com vários amigos. Dançou até o último instante, aproveitando cada embalo enquanto ainda lhe restava um pouco de sobriedade. Estava de volta para casa. Essa era sua rotina de fins de semana. Não perdia um baile sequer, porque brilhava com suas performances. Mas, no fim da festa, tudo volta como antes. O brilho e a sensação de importância que esses momentos lhe conferem, parecem ser a grande motivação de sua vida.
Para muitos, basta viver o momento
E quando a festa acabar e se juntarem os guardanapos que caíram ao chão; quando  as  luzes se apagarem e o som daquela música não mais  tocar, o que sobrará, o que ficará? Quando os livros se fecharem e os aplausos  se  findarem, o que virá depois e que motivação terá? Quando um dia a cartilha  em  sua  mão não mais  existir, e  sem à volta  um  alguém pra lhe dizer, o que restará?  O que  saberá? Se o motivo que  lhe  faz viver é o temporal  de  sua vida,  o que fará então, quando esse temporal passar?

Quando o vento mudar o rumo, quando o mar se acalmar, o que  dará  motivo para você sentir-se como sempre sonhou? Se as ondas que se quebram são  a força que lhe move;  se o “dançar “ conforme a música embala os seus atos, o que será, então,  quando faltar-lhe energia  ou  surgir a calmaria?  Se você faz da sua busca o motivo para o seu viver, o que será, então, quando encontrar o que tanto quer? Seria o buscar por algo, o mais importante, ou aquilo que restará em você quando sentir-se realizado? Assim, o que pode haver  de novo  pra  lhe fazer viver e sentir  de  novo?
Para quê  buscar passos tão distantes, sem viver em cada passo, o sentir do seu momento? Aí bem dentro do seu ser, você pode sentir que a vida pode, e assim será, do jeito que  você  quer  e faz dela.  Se  você aceita sua vida, do jeito que você a constrói, pense no que virá depois. O que será, quando o temporal passar, quando a chuva terminar  e  as nuvens recolherem-se?

O que haverá de novo?
O que será quando o sol se  pôr,  anunciando que um dia terminou?

Um outro dia  é igual  ao que se finda. A diferença é você quem faz.  O sol que se vai, em ar crepuscular é o mesmo que retorna para a vida iluminar!
O que, então, haverá de  novo?  A vida não se resume em momentos, em alguns momentos apenas. A vida é cíclica, como uma roda gigante. O que vivemos hoje é o reflexo de ontem. E assim será o amanhã. Dificilmente o que você vive hoje será diferente no futuro. Mas tudo pode mudar se decidir fazer diferente agora,  ao descobrir a  regra  universal  para uma  vida  feliz. 
Pode ser tarefa difícil viver a vida em função de um depois, pois na verdade, não dá para saber ao certo o que ocorrerá. Nem sempre o que acontece a uma pessoa, as emções que vive, as sensações sentidas, os desejos realizados ocorrerão do mesmo jeito ou com a mesma intensidade com outra pessoa. Mas quando tratamos de princípio universal, de igual modo, todos poderão ter o mesmo destino ao praticá-lo ou não. É comum a todos embriagar-se ao tomar bebida alcoólica. Alguns sendo mais resistentes que o outro, por fim acabarão bêbados, exatamente porque houve uma interferência alcoólica no organismo e o efeito é o mesmo em todos. Portanto, o que vemos ocorrer a nossa volta por quebra ou interferência em um princípio, a consequência pode ser semelhante, ainda que o fim seja diverso de acordo com o comportamento assumido por cada indivíduo. Alguns podem escapar quando ultrapassam o sinal vermelho. Mas esse comportamento repetitivo, leva como consequência a um acidente, mais cedo ou mais tarde. Há os que se comportam de maneira desregrada com seu estilo de vida, sem respeitar os sinais de alerta, os mais resistentes podem ter uma maior sobrevida, mas a tendência é que esse comportamento repetitivo tenha como consequência uma doença aliada a esse estilo de vida. 

O percurso para o abismo sempre parece seguro
 Por isso é muito importante que de maneira racional e consciente prestemos atenção no caminho que decidimos trilhar; nas escolhas que fazemos, nas decisões que tomamos. Isso certamente servirá como medida preventiva, ainda que não tenhamos certeza de que o que ocorre aos outros ocorrerá a nós também. 
A questão é que o caminho para o abismo, levará ao abismo, não importa se a passos longos ou curtos. Mas é possível ao indivíduo voltar atrás quando se dá conta do rumo que está tomando. Muitas vezes isso ocorre no momento final, pois o caminho para o abismo também tem trechos seguros e confortáveis e até belas paisagens. Quando alguém se depara com uma rua sem saída, sua tendência naturalmente é voltar. Mas a volta pode ser difícil, porque atrás sempre tem alguém que entrou pelo mesmo caminho e bloqueia também a passagem de volta, porque não se dá conta do que aconteceu lá adiante. As interferências e obstáculos nesse retorno podem ser dolorosas. Precisamos abrir mão de muitas coisas, as vezes daquilo que acostumamos e que, de certo modo, nos causam boas sensações e prazer. Muitas vezes, aniquilar o nosso orgulho e admitir que erramos e queremos acertar. A volta muitas vezes é dolorosa, mas é uma dor que precisa ser enfrentada para que a cura seja processada, um novo rumo seja redefinido.
 
Alguns hoje olham para trás e percebem que sua vida não tem contentamento e dariam de tudo, se pudessem voltar ao passado e fazer tudo diferente. Outros admitem que de tudo o que fizeram, "o importante é que emoções viveram". Muitas vezes essa admissão ocorre exatamente porque ninguém pode mudar o passado.  Mas, seja com que ponto de vista a vida é enxergada, todas as nossas ações trazem consequências, sejam elas boas ou más. Dificilmente poderemos prever o nosso futuro com precisão levando em conta nossas perspectivas. Podemos até imaginar, planejar, mas tudo precisa estar dentro do que naturalmente é estabelecido para o nosso bem. As orientações existem. Até mesmo os exemplos que observamos à nossa volta. Exercer sabedoria é fazer algo que nos ajude a construir uma vida sólida, prazerosa e que a alegria não seja algo momentâneo, mas que se estabeleça por uma condição espiritual que nos eleve ao que nos faça sobrepor aos nossos desejos destrutivos, ou a emoções provocadas por impulsos que ganhem mais força que a razão que nos leva a escolher de maneira inconsequente. Nossa vida pode ser feita de bons momentos. E isso também é uma questão de escolha, em que a emoção e a razão sejam vividas de maneira harmoniosa. 
Aqui cabe bem uma paráfrase do conselho dado pelo sábio Salomão: "Lembra-te de Deus nos dias da tua mocidade, antes que venha a velhice e perceba que sua vida não valeu a pena". (Eclesiastes 12)





 

ANO NOVO, O QUE HÁ DE NOVO?



  “Quem observa o vento, nunca semeará”

Elias Teixeira
Não há nada de mágico, nem de novo, na mudança de calendário. Aliás, não deveríamos pautar a nossa vida pelos dias, nem pelos anos, nem pelos nossos desejos e vontades, apesar de esses elementos em muitos casos se  transformarem em mola propulsora das realizações, mas tudo que ocorre em nossa vida, de fato,  pode iniciar-se a qualquer momento, no momento em que tomamos decisões. O sábio Salomão disse em seu livro de Eclesiastes, que há tempo para tudo debaixo do sol (Eclesiastes 3: 1-8). 
Mas o mesmo sábio que declarou que há tempo para todo propósito debaixo do sol, também disse que não há nada de novo debaixo do sol. "O que foi, isto é o que há de ser;e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol". De fato, não podemos parar o ciclo da existência. Nisso não podemos interferir. As nossas escolhas e decisões dentro desse ciclo existencial, é que trará motivação à nossa vida.
O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.

Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.
Eclesiastes 1:9-10
Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.

Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.

O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.

Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr.
Eclesiastes 1:4-7


"Há tempo para todas as coisas" é, na verdade, a constatação de um fato, daquilo que é, e nada podemos fazer para mudar esse ciclo natural. Não significa que devemos esperar que tudo aquilo que depende de nossas ações aconteçam de maneira automática, pois, se a semente não for plantada, não se inicia o processo de germinação. A nossa parte precisa ser feita. Não é o tempo que realiza nossos propósitos, nem nossos planos. O tempo passa para quem planta e para quem não planta. Passa para quem vai e para quem fica; para quem sonha e para quem não sonha. O tempo dá conta de si mesmo, independentemente das nossas ações. Porém, quando decidimos um rumo em nossa vida, as coisas tomam um novo caminho a partir dessa decisão. A decisão é a primeira atitude, mas que por si mesma não tem vida própria, é necessário um trabalho permanente, uma metodologia a ser seguida para que o fim seja alcançado. E há um tempo para isso. O tempo vai obedecer, certamente, seus aspectos naturais, o desenrolar de nossas ações para que tudo se concretize. Não é nada automático. Há coisas em que não podemos interferir, pois dependem de força alheia à nossa vontade, como uma semente. Nós semeamos, mas não temos o poder de fazê-la brotar. Há um  tempo natural para sua germinação. Fazemos planos, trabalhamos para determinado fim, mas não temos garantias de que usufruiremos de tudo o que sonhamos. 


A jabuticabeira pode levar anos para frutificar
Uma coisa me vem a memória sempre que vejo um pé de jabuticaba. No quintal da casa onde morava com minha família, meu pai plantou uma muda de jabuticabeira. Eu e meu irmão acompanhamos o plantio e, após cobrir com terra suas raízes, olhou para nós e disse: ”Eu não vou chegar a ver esse pé de jabuticaba dar frutos”. Ele nos disse que demoraria pelo menos uns dez anos para começar a frutificar. E, realmente, ele não provou da fruta que plantou. Vivemos numa correria frenética. Deixamos de observar as pequenas coisas do dia a dia, as oportunidades que se abrem para nós, porque somos imediatistas. Queremos ganhar muito de maneira rápida e deixamos de plantar raízes para a posteridade. E quando percebemos a nossa vã correria por projetos não realizados, por planos não cumpridos, queremos da noite pro dia fazer a semente brotar, na tentativa de adiantar um processo do qual perdemos o controle pela maneira indolente de agir no tempo determinado. 
Quem olha as dificuldades, nunca semeará
Deixamos de realizar algo sólido e duradouro, porque pensamos apenas no hoje, na satisfação momentânea. Assim o tempo passa. Não podemos freá-lo, nem voltar ao passado para resgatar o tempo perdido. Por isso, as decisões precisam ser tomadas, e a partir delas, iniciar com diligência tudo o que desejamos realizar, não importa quanto tempo demore.  “Quem observa o vento, nunca semeará” – (Eclesiastes 11:4). Se considerarmos as dificuldades, os desafios a enfrentar em nossa jornada para a realização de nossos objetivos,  encontraremos motivos para desanimar. Talvez   nem seríamos capazes de plantar a semente de um fruto que não iremos comer. 
 
Não importa se fazemos ou não fazemos. O tempo passa
Um novo ano está diante de nós. E parece que apostamos nossas fichas na virada de um ano, como se algo mágico viesse ocorrer, alguns até, de maneira mística, utilizando-se de elementos que sirvam de "amuletos da sorte". Uma oferenda a algum santo de devoção; o vestir-se com roupas de cores representativas que sugerem boa sorte, e outros tantos elementos, que já fazem parte naturalmente dos festejos para a chegada de um novo ano, e uma nova contagem. É comum ouvirmos felicitações, promessas de que dessa vez vamos chegar lá; que  daqui  para frente tudo será diferente. São desejos positivos que devem ter lugar em nossa vida. Mas, como  seres  humanos, dificilmente conseguimos zerar o tempo e começar tudo de novo. Trazemos em nossa vida muitas cargas das quais dificilmente nos livraremos, sem antes rever nossos erros para buscarmos os acertos; o valor que damos as coisas, o cultivo que exercemos em nosso dia a dia. Trazemos a nossa carga genética, assuntos mal resolvidos do passado que podem eclodir a qualquer momento. Nossa vida é uma sequência e as consequências ocorrem independentemente da nossa vontade, pois não podemos nos predispor ao tempo. Certamente essas coisas não se desligam automaticamente como um “botãozinho” on/off. Talvez seja essa uma avaliação óbvia, porém percebemos que entra ano, sai ano, e sempre prometemos as mesmas coisas; desejamos os mesmos desejos; queremos as mesmas realizações. Isso, de certo modo pode nos passar a ideia de que se não decidirmos, seja em que tempo for, de nada valerá os nossos desejos, pois por si mesmos  não são autorrealizáveis. Um  conselho devemos seguir: “Confia teus negócios ao Senhor e teus planos terão bom êxito”. (Provérbios 16:3) Este deve ser o princípio de todas as nossas ações. Assim,  tudo o que realizarmos ocorrerá segundo os planos de Deus para a nossa vida.





sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

SE O MUNDO TIVESSE ACABADO, ONDE VOCÊ ESTARIA AGORA?



Elias Teixeira
É comum observarmos agora muitas pessoas  ironizando, ridicularizando, desdenhando, tripudiando a “profecia” não cumprida dos  Maias sobre o fim do mundo. Neste ponto, crédulos, engrossam o coro dos incrédulos. Muitas vezes, apresentamos até a nossa verdade com certa "arrogância" pelo conhecimento adquirido. Mas o que devemos pensar, não é apenas sobre a questão de que “o dia e a hora ninguém sabe”, como o próprio Jesus disse aos discípulos em Mateus 24, diante da preocupação deles sobre o tema, sem que isso desperte em nós a necessidade de  preparo para esse grande acontecimento.  Algo  importante devemos perceber em nós mesmos, diante deste fato. Se por profecia frustrada continuamos levando a vida do mesmo jeito, valendo-nos da crença de que o dia ninguém sabe, ou pelo que popularmente as pessoas costumam dizer: “o mundo não vai acabar, quem acaba são as pessoas”, o que seria de nós, se o mundo tivesse acabado mesmo? Qual teria sido o meu e o seu destino?
Se diante de uma “profecia” anunciada continuamos a viver do mesmo jeito, assim como foi nos dias de Noé, imagine como estaremos quando, de fato, o mundo acabar sem nenhum aviso prévio?

O que tem ocorrido ao longo dos tempos, pode ser uma maneira de banalizar um tema de importância tal, porque dele dependerá a mudança de atitudes; mudança de vida, a revisão de nossos conceitos, e parece que não é isso que essas “profecias” tem despertado. O coração humano está cada vez mais descrente. Se hoje é mais fácil aceitar a ideia do fim do mundo, por depararmos com situações desesperadoras em todos os setores da sociedade, como violência, desrespeito às coisas santas, a falta de amor, guerras, terremotos, catástrofes naturais, entre outros dramas, por outro lado, cientistas e estudiosos  tentam explicar esses episódios de maneira tal que muitos acabam aceitando como sendo algo que acontece por motivos razoáveis, e que não haveria nada de anormal nessas condições. Psicólogos explicam o que acontece com o comportamento humano, o porquê da violência; conselheiros falam sobre a desagregação da família, mas  pouco ouvimos sobre a direção que se deve tomar para que essas falhas sejam corrigidas. E assim nos acostumamos, nos protegendo, segundo as orientações que recebemos para vivermos em paz, tranquilos. Aprendemos a conviver com as nossas dificuldades, utilizando-nos dos nossos próprios métodos, com o  que chamamos de “inteligência emocional”, e para nós, parece que a  vida é assim mesmo. Cada um tem que cuidar de seus próprios assuntos, lutar com suas próprias forças. Defendem-se que a paz social virá pela educação; que a corrupção acabará quando o país tiver consciência política pelo interesse da população em lutar por seus direitos. E assim levamos a vida, nos adaptando com as mazelas, nos acostumando com a zona de perigo, tendo cuidado para não nos aproximarmos dela. Comemos o nosso próprio pão, buscamos a riqueza para nos fartarmos, sentimo-nos em muitos momentos "enriquecidos" e sem falta de nada, e o mundo para muitos, parece ainda o melhor lugar para se viver. A ciência desenvolve estudos para melhorar a expectativa de vida das pessoas; ousam em pesquisas milionárias na tentativa de retardar o envelhecimento e realizar pesquisas para a cura de várias doenças. Por outro lado, somos sugestionados a acostumamos com a morte, como sendo o “caminho de todos nós” e a única certeza que temos, e que morrer não é algo tão ruim como dizem. Alguns consideram a morte apenas como uma "passagem" para um lugar melhor.  Admitimos a idéia de que se não podemos mudar algo, devemos aceitar. Sob muitos aspectos, a humanidade cria seus próprios meios para viver bem diante de tanta maldade existente, dos contrastes sociais e morais, que caminham lado a lado conosco. Assim vivemos, como se aqui fosse a nossa casa definitiva, o nosso lugar, e do nosso jeito criamos mecanismos de defesa para sobrevivermos.

A vida segue, despreocupadamente.
Mas o fim do mundo é  real. Não são as pessoas que vão acabar apesar de muitas terem morrido ao longo da história da humanidade sem que o fim ocorresse como também ouviram que  aconteceria. “Um dia, todos comparecerão ao tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiverem feito por meio do corpo”. (Romanos 14:10)

Não é aqui que vamos passar a eternidade.  “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim  mesmo, para que onde eu estiver, estejais vós também”. (João 14:1-3)

Os homens querem de todo  jeito  escaparem de um futuro destruidor. As investigações e expedições espaciais para as quais  investem-se bilhões de dólares na tentativa de descobrir vida em outros planetas,  pode ser um meio para levar os mais ricos para um lugar “fora de perigo”, desprezando o que Jesus oferece: “Vou preparar-vos lugar”.



Há sim, por parte dos que conhecem as condições de nosso planeta, como doenças, a superpopulação, entre outros dramas, o conhecimento de que num futuro pode haver um colapso, mas dificilmente atribuem essas coisas às profecias de Jesus, e procuram por seus próprios meios buscarem uma saída. Mas Não haverá como fugir:  “Quanto à tua terribilidade, enganou-te a arrogância do teu coração, tu que habitas nas cavernas das rochas, que ocupas as alturas dos outeiros; ainda que eleves o teu ninho como a águia, de lá te derrubarei, diz o SENHOR”.  (Jeremias  49:16 )

O mundo de então foi destruído pela rebeldia humana, por não dar atenção às palavras de vida e às orientações para a felicidade. Os homens vão construindo seus próprios caminhos, segundo seus desejos e paixões.



As tentativas humanas são vãs.  Há os que equivocadamente se protegem em lugares que consideram seguros, mas não há lugar seguro que venha nos proteger da destruição daquele dia: “Pois eis que vem o dia, arde como fornalha; todos os soberbos e todos os que obram impiedade serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz Jeová dos exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo”.  Malaquias 4:1.

E assim vivemos nossos dias
Mas este mundo vai acabar. Haverá o dia final. O que importa é saber como estamos hoje. De que maneira estamos guardando as palavras de Jesus em nosso coração e ansiando por sua volta?



O Mundo não acabou. Mas o dia acabará hoje quando o sol se pôr. O que estamos dispostos a fazer neste dia, para que não corramos o risco de viver na zona de conforto? Entra dia, sai dia, e a tendência é nos acostumarmos com o susto e a posterior tranquilidade; com o alerta e com o "descanso"... e assim o mundo vai...

Do mesmo modo, vivemos preocupados com a nossa vida. O que comer, o que vestir...