sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

POSSÍVEL PARA DEUS, POSSÍVEL PARA OS HOMENS


Deus sempre trabalhou para o bem estar dos homens. Se Ele é o Deus dos impossíveis, conforme declarações que costumamos ouvir, e se afirmamos que somos dEle, do mesmo modo,  impossibilidades não serão reais em nossa vida.
Já não é estranho aos nossos ouvidos a frase: “Vamos alcançar o inalcançável; realizar o irrealizável; ver o invisível”.
As possibilidades são vistas pela experimentação até
chegar ao que se pretende. 

Na esfera humana, tudo o que se alcança, é possível. 
O impossível é sempre impossível, obviamente. 


As vezes paro para pensar sobre alguns termos que ouvimos, que passam a ser tão comuns que não refletimos em seus detalhes.  

Na esfera das possibilidades, tudo é possível.  Por isso, por tão simples e redundante que pareça, é uma idéia que não conseguimos aceitar direito. Se alguém alcançou o “inalcançável”, será que o inalcançável era algo impossível mesmo? Esses termos tem um poder de motivação muito grande, mas parece que nunca conseguimos ver, de fato, aqueles que alcançaram o "inalcançável"; viram o "invisível"; superaram os "limites".  Se alguém supera limites, esses, de verdade, não existiam. O que chamamos limite, nada mais é que uma "barreira" criada diante do desconhecido, daquilo que não sabemos dominar. O que deve ocorrer nesses casos para que o "limite" seja vencido,  é a  aplicação da fórmula correta, os meios utilizados para esse fim. 

“O impossível para o homem, é possível para Deus”.  Há muito de óbvio nessas palavras. Deus é Onisciente, Onipresente e Onipontente. Ele diz a seu próprio respeito: “Os meus caminhos são mais altos do que os vossos caminhos; os meus pensamentos mais altos que os vossos pensamentos”.
O medo torna-se empecilho para realização de algo
que ainda não dominamos.  


Se para Deus não há impossível, a nossa fusão nEle, certamente fará tudo possível a nós.
Jesus disse: “Tudo é possível ao que crê”.   Percebemos que Jesus deu uma importante lição, de como as coisas poderão tornar-se possíveis a nós: crer.

Já o Apóstolo Paulo, nos deixou uma grande lição, de que  o impossível não existe: “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece”.  O Apóstolo falava de coisas da vida; das dificuldades que enfrentou; dos momentos de fartura e escassez; de saúde e de doença; de humilhação e exaltação. Nada disso interferiu em sua confiança em Cristo, que o possibilitava enfrentar esses revezes de maneira resoluta e destemida.

O medo torna-se uma ameaça às possibilidades. Tememos o desconhecido e aquilo que não dominamos, fazendo parecer que a impossibilidade é real. Na verdade, "impossibilidade" é o que colocamos ou colocaram na nossa cabeça. As experiências pessoais que vivenciamos  apontam  que tanto o medo, quanto a impossibilidade caminham juntos. Há aqueles que conseguem avançar em determinadas áreas da vida, enquanto outros desanimam no primeiro obstáculo. Aos poucos, todos passam a descobrir suas reais possibilidades e por elas trabalham com o objetivo de partir para o planejamento e ação realizadora. “No mundo tereis aflições” disse Jesus. Mas Ele completou dizendo: “Esforça-te, tende bom ânimo; Eu venci o mundo”.
Há sempre um caminho a ser percorrido para vencer o
que parece impossível ou desafiador. 


Há muitas coisas na vida que são superadas no plano natural, e gastamos tempo exercitando uma fé sem necessidade, e colocando no plano espiritual algo que deve ser tratado no campo material e físico. Muitas vezes caímos nos extremos de  espiritualizamos o que é material e materializarmos o que é espiritual. Quando há esse “choque” entre a nossa sensibilidade de entender em que “plano” devemos canalizar o nosso trabalho para alcançar aquilo que desejamos, percebemos que essa falta de “sintonia” deixa-nos perturbados quando a resposta não se opera como pretendemos.

A  operação do que consideramos “impossível” aos nossos olhos,  ocorre somente segundo os desígnios e planos de Deus. Ele não operará aquilo que para nós é impossível, se por trás de sua ação não houver a necessidade dessa operação. Há muitos relatos Bíblicos de fatos sobrenaturais, de ocorrências impossíveis diante dos homens. Mas em todos esses episódios, Deus agia segundo o seu propósito, não segundo os propósitos dos homens.  Quando Deus abriu o Mar Vermelho foi para o povo que estava cativo no Egito atravessar em segurança e dar provas de seu cuidado.  A resposta de Deus era imediata.  Quando o profeta Elias orou diante dos profetas de Baal, ele estava diante de um episódio em que mostraria o poder de Deus e quem era o Deus que ele seguia. Deus respondeu a oração e queimou o holocausto, não somente por causa de Elias, mas para que Ele fosse reconhecido no meio do povo. Deus responde as orações, não por causa de nós, apenas, mas pelo amor  dEle e por sua justiça e caráter. 
Há sempre um plano de Deus por trás das vitórias
que nos concede. 


Jesus foi claro ao dizer: “aquele que pede, recebe”. Ou seja, a resposta vem a todos que o pedirem. Para Deus não há pedido perdido. Todos eles são respondidos. Algumas respostas são entendidas pelo pedinte; outras precisam ser avaliadas segundo suas percepções espirituais e essa leitura ocorre naturalmente quando o pedinte mantém um relacionamento espiritual com Deus. Gastar tempo na meditação das coisas celestes, faz-nos entender a resposta que recebemos.

Não devemos “usar” a Deus somente no momento em que precisamos resolver algum assunto que foge ao nosso controle. Quando permitimos que Deus tenha o controle de nossa vida, tudo o que pedirmos certamente estará em conformidade com a vontade dEle. E pela vontade de Deus, tudo é possível.  

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A CULPA FOI MINHA



Ela sempre foi diferente das irmãs. Começou a namorar muito cedo. Dos 15 aos  17  anos perdeu as contas de quantos namorados teve, até que engravidou. Seus pais já não sabiam o que fazer para educar a moça. No bairro onde ela morava, todos comentavam sobre o comportamento dela; sobre as roupas que usava e a maneira considerada vulgar como se comportava.

Num ato impulsivo, adolescentes interrompem
sonhos por uma gravidez não programada.

O pai dela culpava a mãe, por não colocar "freios" na filha. Ao descobrir sua gravidez, ela tentou esconder dos pais, dizendo que tinha muita vontade de passar uns tempos na casa de uma tia, que morava em outro Estado. O namorado não quis assumir o filho e,  ainda sugeriu que ela fizesse um aborto. Como não aceitava a idéia de aborto,  resolveu ter o bebê  sozinha, longe do namorado e dos pais.


Foi nessa fase crítica de sua vida que marcou o dia da viagem, arrumou suas malas e rumou para a casa da tia por parte de mãe. Mas foi lá, que não teve como esconder o que se passava com ela. Os sinais característicos da gravidez apareceram. A tia ficou desconfiada, quando chamou a sobrinha para conversar. A moça confessou o que estava ocorrendo e pediu, pelo amor de Deus, que a tia não contasse nada a seus pais.

A tia considerou algo muito sério para esconder da família e, passados alguns meses, ela viajou à casa da irmã, para contar pessoalmente o que estava acontecendo com a sobrinha.
Seus pais ficaram suroresos com a notícia e, resolveram  então, viajar com a tia para ver sua filha, para saber como ela estava, pois, mesmo reprovando a atitude dela, era filha, e entendiam não poder deixá-la desamparada naquele momento.
Mas foi nesta viagem que uma tragédia aconteceu. Seus pais e sua tia morreram num acidente enquanto se dirigiam ao encontro dela. Foi um choque tremendo. Ao saber da notícia, ela passou mal e, pelo choque emocional sofrido, acabou abortando o bebê que esperava.
A sensação de não ter os sentimentos compreendidos
leva muitas vezes ao isolamento. 

Hoje, aos 42 anos, ela vive com uma de suas irmãs que a amparou, construindo um quartinho nos fundos de sua casa.  Desde sua dura experiência, jamais teve outro relacionamento. Solteira e depressiva, traz consigo um sentimento de culpa que paralisou sua vida. 


O passado a persegue dia e noite. Só consegue dormir com a ajuda de medicamentos fortes, que tem lhe causado grande  mal. Tentou buscar na religião acalmar sua alma, mas, ainda não conseguiu perdoar-se a si mesma.

As sombras do passado a perseguem. A imagem do acidente com os pais, tenta remontar em sua mente. Os dias vividos com eles,  as cenas em família, as festinhas de aniversário, os sorrisos, as broncas, os abraços, eram coisas que se perderam no passado que jamais poderá reviver. E isso a machuca até hoje.

O estabelecimento do diálogo, constrói uma relação
de confiança entre pais e filhos.


Não consegue mais sorrir. Jamais imaginou que sua atitude do passado, pudesse trazer tantas marcas em seu rosto e em sua alma.

É bem verdade que ninguém pode mudar o passado. Mas o tempo dá conta de si mesmo. O amanhã sempre refletirá o que vivemos hoje. Se não podemos prever como será o amanhã, podemos ser previdentes nas atitudes que tomamos agora. Não é possível voltar no ontem para refazer o que se destruiu. Mas hoje é o dia em que podemos tomar decisões conscientes. Mas existe o perdão. A sensação de sermos perdoados e de perdoar-nos a nós mesmos, é que revitaliza a alma. Isso não significa  minimizar a gravidade dos erros que cometemos, mas dar-nos a chance de recomeçar a vida, mesmo trazendo as marcas conseqüentes de nossas ações.

A fatalidade ocorrida com seus pais, não poderia ser prevista, pois não ninguém conhece o futuro.  Por isso mesmo, é que devemos viver bem com todos em todos os momentos. No que depender de nós, mantenhamos um coração puro e consciência limpa, com a certeza de que estamos fazendo o melhor agora.

Diante  de coisas que podemos prever, é possível  prevenir. Todos os atos praticados por uma ação impulsiva, podem trazer resultados não desejados. A escolha do nosso comportamento diante das nossas inclinações, pode educar-nos à prevenção. Há coisas  na vida consideradas irrecuperáveis - mas todas as coisas irrecuperáveis podem ser prevenidas com ações racionais, com base nas observações diante do que ocorre à nossa volta. A liberdade que todos nós possuímos para escolher a decisão a tomar, jamais deveria levar-nos à escravidão, ou prender-nos a circunstâncias que devemos assumir pela responsabilidade que contraímos. 

O isolamento, a sensação de fracasso, pode ser até o reconhecimento de atos que praticamos que nos levaram a um resultado que nos perturba. Mas jamais esse sentimento nos será útil para sobressairmos dessa sensação que nos aponta culpa, que tentam remontar o nosso passado, ou até mesmo, coisas do presente que nos ocorrem, diante das quais nos vemos sem saída,  estáticos, como se uma corrente nos prendesse impedindo que tomemos uma decisão. Tentamos nos proteger com o isolamento, pois temos medo de enfrentar a realidade, porque diante dela "cutucamos"  nossas feridas que, para serem cicatrizadas serão necessárias outras ações e tomadas de decisões. As vezes não nos sentimos  preparados e em condições de enfrentar essa realidade. A prostração e o isolamento, tornam-se uma fuga, mas que jamais conseguiremos apagar da mente. 

É preciso retomar a vida e usar essas experiências positivamente a ponto de fazer-nos entender, que não podemos mudar a realidade daquilo que nos ocorreu, mas o momento presente convida-nos a refletir a mudança que necessitamos para vivermos em paz com a consciência. 


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

NÃO PRECISO DE NADA, OBRIGADO.


No livro de Crônicas, encontramos explicitamente as condições que Deus propôs para ouvir a oração do povo que se chama pelo seu nome. Como entender essa exclusividade de um povo que chama para si a responsabilidade de representar a Deus na terra?  

A condição que Deus apresenta para derramar seu poder sobre nós, primeiramente chama-nos à humilhação; depois oração; e conversão dos maus caminhos. Toda oração sem esse propósito será vã.


Oração não deve ser apenas um hábito dos crentes
Ela deve ter propósitos definidos.
O povo de Israel era tido como o povo da  promessa e, por causa disso, Deus não retiraria de sobre estes a responsabilidade de testemunhá-Lo, pregando o evangelho, começando por Jerusalém, até os confins da terra.

Há muito tempo, percebe-se o esforço daqueles que hoje se auto-denominam  povo de Deus, enquanto grupo organizado dentro de uma proposta real e verdadeira, segundo revelações proféticas.  Planta-se muito; colhe-se pouco. Dispõem de recursos e investimentos para fazer avançar o evangelho, contudo, chamando para si a responsabilidade de convencer pessoas sobre a verdade eterna. Do alto de seu poderio, ao concentrar riquezas em todos os aspectos que regem diversas áreas da vida,  tendem a utilizar sua auto-suficiência, como algo extremamente satisfatório para chamarem a atenção para suas propostas.

Sua pujança e fartura de conteúdos de caráter excepcional para sugerir mudança de vida, de comportamento, bem como orientações necessárias a seus fiéis para promover uma vida de comunhão íntima com Deus, a torna destaque diante de outros conceitos e propostas do mundo atual.

A riqueza traduz a sensação de auto-sufciência 
O avanço deste evangelho tem ocorrido de maneira sazonal, limitada às formalidades estruturais e organizacionais; um avanço orquestrado por grupos celulares que precisam se multiplicar porta afora  e alcançar os que ainda estão sedentos da verdade que liberta.  A tendência é aceitar a estrutura  conforme esses padrões definidos e limitados, que entende-se como  decisão sob a  orientação divina.

Mas de maneira institucionalizada, dificilmente o evangelho será pregado, senão pela ação do Espírito Santo. Nenhuma organização politicamente formada, poderá  convencer a outros de que foi eleita para representar Deus na terra, sem que seus frutos  sejam de arrependimento, humilhação, oração e mudança de rumo.

Este é o perigo da auto-suficiência, o mesmo que sofreu a igreja de Laodicéia, uma das sete igrejas da Ásia, que dizia a respeito de si mesma: “rico sou, estou enriquecido e de nada tenho falta”.
Suntuosas edificações,
são marca do poderio econômico
A questão em voga, não abrangeria apenas as condições aparentes,  a agregação de riquezas e conhecimento. Podemos nos orgulhar dos relatórios numéricos apresentados, aplaudir pequenas conquistas no âmbito celular, satisfazendo-nos com as realizações dentro da própria casa; nos fortalecemos pelo fato de nos sentirmos úteis à sociedade da qual fazemos parte. Preocupamo-nos com os números dos relatórios, mas estes  documentos serviriam apenas como elementos materiais contabilizados para a prestação de contas que possibilita a sustentação da liderança no comando das ações consideradas estratégicas para  seu avanço. Passamos a nos orgulhar de nossa beleza e aceitação popular, com a aprovação de autoridades públicas e de grupos simpatizantes, pela maneira politicamente correta  de nossa conduta. 

Mas não foi apenas isso que Deus teria levado em conta, em relação àquela igreja. Todas as obras positivas foram consideradas, mas acabou debruçando-se em suas qualidades, caindo na tentação de viver como se não precisasse abrir os olhos para "enxergar a vergonha de sua nudez e buscar em Deus o colírio".

A sensação de auto-suficiência tornou-se um risco para o afastamento de algo elementar para a igreja que chamou para si a responsabilidade de representar Deus na terra, contudo, negando o seu caráter. Por sua riqueza, tornou-se pobre e miserável espiritualmente.  

O mesmo discurso de Crônicas, ganha destaque semelhante no conselho que foi dado ao anjo da Igreja de Laodicéia: “Humilhar; converter-se, voltando a praticar as boas obras”. (Apoc. 3:14)

Não creio que a condição para que a mudança seja operada poderá ser cumprida enquanto organização religiosa, seja a que estrutura ou facção pertença. 

Assim certa vez Jesus orientou: “Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus; façam pois o que eles falam, mas não façam o que eles fazem”. (S.Mateus 23:12) A palavra de Deus sempre considerou teoria e prática. E essa cobrança era feita também aos que assumiam posições de destaque: "escribas e fariseus", que ocupavam funções importantes para conduzir o povo. "Cego guiando cego", neste caso, não no contexto que costumamos defender, sobre a questão de conhecimento doutrinário, mas em questão muito mais aprofundada que é a cegueira espiritual que não leva a reconhecermos o nosso estado de afastamento do amor e da justiça de Deus; a nossa dependência dEle para reconhecermos a nossa pequenez.

É preciso exaltar a Cristo em todas as nossas ações.  

Ainda hoje, a mensagem para a igreja enquanto instituição organizada é a mesma: “aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo”. É a justiça de Deus que deve prevalecer, na unidade do Espírito.  

Enquanto isso, valeria a palavra final, que desviou-se do anjo da igreja, direcionando-se aos indivíduos: “Quem tem ouvidos ouça o que o espírito diz às igrejas”.


Concentração de conhecimento
respalda as teorias.
A partir daquele momento, essas palavras passaram a exercer um efeito extraordinário, levando cada indivíduo a entender que, se o pastor, o anjo da igreja, responsável por fazer cumprir a justiça e o amor de Deus, junto ao seu rebanho,  estava prestes a ser “vomitado”  por  negligência,  despojados seriam todos os que virassem às costas à orientação divina.

À igreja restou o alerta: "arrependa-te, e volte a praticar as boas obras".
Deus sempre procurou os fiéis na terra. No passado encontrou a Enoque, Noé; Ló; Jó. Em toda a história, a crença em Deus esteve associada às atitudes de seus seguidores, bem como a prática da justiça e abnegação no serviço do Senhor, andando segundo a vontade de Deus, sob suas orientações. E, finalmente, as boas obras serão decisivas para o chamado: “Vinde benditos de meu pai”. Os olhos de Deus, hoje também procuram seus fiéis, que praticam as boas obras; os limpos de mão e puros de coração. Jesus morreu por pessoas. Ele se entregou por você também. Nada nem ninguém poderá elevá-lo a Ele a não ser Ele mesmo, que diz a seu próprio respeito: “Ninguém vem ao pai, senão por mim”.  Deus operará maravilhas em nossa vida, quando nos despojarmos do nosso orgulho e auto-suficiência, permitindo que Ele opere a mudança da qual necessitamos  individualmente. Se voltarmos o nosso olhar para uma organização político institucional, mesmo denominando-se representante de Deus, essa atitude poderá ser transformada em pedra de tropeço, desviando-nos do caminho para a eternidade. 


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

AH, SE EU PUDESSE...


Um certo dia, alguém desabafou: "queria sumir, desaparecer; se  eu pudesse  eu voava daqui". Há muitas razões para que uma pessoa desabafe dessa maneira. Mas nem sempre dá para identificar, de fato, que razões são essas. Pode ser sentimentos “represados” pela dificuldade de expressá-los; a necessidade de desabafar o que sente e não confiar em alguém para compartilhar; algum problema de ordem espiritual numa luta entre a carne e o sangue, o que se quer, e o que se pode fazer; desejos frustrados e outras tantas razões de ordem pessoal. 

A vontade de voar expressa um desejo por liberdade
e plenitude espiritual.
Uma verdade que não podemos ignorar, é a natureza com a qual fomos criados. Apesar de sermos feitos da terra, (como no gênesis) há um lado espiritual (psique), a razão, partícula de Deus soprada que nos deu vida, que por vezes entra em conflito com as coisas que nos ocorrem no cotidiano. A harmonia que havia em sua perfeita sintonia com o Criador, sofreu interrupção pelas perturbações adquiridas por seu afastamento, que ocorreu, em princípio, pelo desvio de seu olhar do eterno e, por meio dos sentidos, fez com que sua mente absorvesse informações   e sensações nunca dantes experimentadas. O afastamento do Criador tornou nossa natureza vulnerável, mesmo consciente dessa consequência. Houve um corte no elo de ligação; uma barreira. 

O desejo de voar, de fugir, de se recolher é antigo no ser humano. O salmista certa vez disse “Ah, se tivesse asas como de águia; voaria e estaria longe daqui”.

Um pensamento como esse não ocorre quando estamos em plena sintonia e harmonia nos variados campos  nos quais submetemos a nossa vida. E, dificilmente, haverá harmonia entre a carne e o espírito – um milita contra o outro.

O “ equilíbrio” do corpo e da mente torna-se desafiador, pois a sensação de realização desse equilíbrio, ocorre somente no momento em que tentamos  exercitar-nos para isso, por meio da reflexão e da meditação.  Voltamos a ser o que somos. Caímos na real. Ainda que haja o isolamento e a fuga numa tentativa de proteção, naturalmente, há uma tendência de insatisfação, seja qual for o ambiente onde projetamos nossa imaginação, ou até mesmo num local onde desejamos obter refúgio.

A importância do recolhimento em determinado momento é muito importante para equilibrarmos  o nosso senso em determinada situação que nos exija concentração no momento de tomar alguma decisão. Mas dificilmente temos o controle sobre as consequências da decisão que tomamos, seja ela qual for. "Plantamos a semente", mas não sabemos qual brotará, nem temos o poder de fazê-la germinar. Temos nossa parte a fazer, mas não é somente isso que determina mudanças efetivas na nossa vida. Há outros fatores, até mesmo inexplicáveis por meio da lógica, que podem causar interferências na caminhada. Erramos em pensar que temos o domínio de tudo e, buscar por meio dos nossos próprios esforços, desvendar certos mistérios que estão fora da dimensão humana. Quando chegamos ao ponto de não achar mais explicações para essas questões, a tendência é de caminharmos por caminhos cada vez mais obscuros e duvidosos.
Apesar de, por alguns momentos, elevar o espírito,
a meditação não nos imuniza dos conflitos existenciais. 

Jesus Cristo convidou seus discípulos a se isolarem com Ele num momento angustiante, precedente à sua morte. Mas esse recolhimento, não o livrou da angústia e da sensação de ter sido abandonado pelo Pai.

Somos orientados ao isolamento, para tentar buscar equilíbrio e conforto. Mesmo que ajude em determinado momento, os motivos que nos levam a essa sensação de desajuste são reais. Alguns podem ser eliminados por ações diretas contra o objeto do nosso sofrimento; outros são como algo que devemos levar na vida até o fim.

O que não devemos perder de vista é que mesmo não tendo condições naturais de resolver os nossos dramas, muitos dos quais herdados do ambiente em que vivemos, há possibilidade de escolhermos o comportamento que vamos adotar diante desses conflitos. É preciso   estarmos  conscientes, que a nossa postura diante dos conflitos podem nos dar sobrevida diante deles. Mas todos os conflitos de ordem espiritual: carne X espírito,  estarão presentes em nossa vida enquanto vivermos.

É por este motivo, até mesmo pela inclinação humana de ceder às tentações é  que há a orientação para que em todo o tempo sejamos sóbrios e vigilantes.  (I Ped. 5:8)

Não temos o poder de mudar a realidade existencial, mas podemos escolher sofrer com propósito. A fuga, tão desejada quando estamos diante de coisas que não podemos mudar, não será suficientemente capaz de imunizar-nos contra a instabilidade espiritual, até que o corruptível se revista da incorruptibilidade; o mortal, da imortalidade.  I. Cor. 15:53.

A busca pela paz e tranquilidade
torna-se paliativo importante
mas dura apenas alguns momentos
Enquanto perseguirmos uma vida plena de satisfação aqui na terra, vamos nos sentir insaciados e frustrados. É essa sensação de insaciedade que pode levar-nos a tentar saciedade em fontes não confiáveis, ou até mesmo, tornar-se um fator determinante para não crermos em nada. As vezes, perseguimos a idéia de viver o céu aqui na terra e isso, de certo modo, nos conforta. Porém, na vida prática, mesmo que alcancemos  um certo grau de espiritualidade, vivemos num mundo onde cada um de nós vive na mesma esfera. Terreno como os terrenos. Corruptível como os corruptíveis. Mortal como os mortais.

O que conforta, de fato, é que diante das tribulações do mundo, há conforto no  qual  devemos  nos apegar nesses momentos. Vide Salmo 23.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

TÁ RECLAMANDO DE QUÊ? !


O acesso a informação tem provocado mudança de argumento da publicidade de alimentos,  muitos dos quais, criticados por  nutricionistas, ao considerarem seu baixo valor nutricional ou por oferecerem calorias vazias. O hábito alimentar saudável passa a ganhar mais adeptos, a partir do momento em que ele deixa de estar ligado apenas ao âmbito religioso e alcança a população por meios menos dogmáticos. Apesar da orientação bíblica, de que o nosso corpo é o "templo do espírito santo", e que por isso devemos evitar alimentos insalubres para não contaminá-lo, para a população, em geral, o entendimento maior é quando essa revelação bíblica é  "codificada" pelos estudos científicos e defendida em grande escala por especialistas no assunto de saúde. Mais cedo ou mais tarde, o princípio bíblico alimentar passa a ser compreendido.

Quando a questão de saúde é defendida no âmbito religioso apenas, sem respaldo de médicos, nutrólogos e pesquisas científicas, pode não exercer o mesmo efeito. Há  diferença em ouvir a explanação sobre questões de saúde de um pastor ,ou estudioso e pesquisador da bíblia, e de uma autoridade no assunto. Pode ser o mesmo que colocar um nutricionista para tratar de assuntos religiosos doutrinários em suas palestras. É muito comum que assuntos de importância significativa deixem de ser aceitos por terem sido defendidos por bandeira religiosa em passado recente.  Com a abertura da informação, essa restrição diminuiu e, hoje, a compreensão é maior, dando maior sentido ao que o princípio bíblico defende como alimentação saudável, no livro de Gênesis.

Em tempo algum, nunca houve tanta oferta
de alimentos prontos: "T
empo é dinheiro". Para quem?
INFORMAÇÃO E ESCOLHA

E se não houvesse a liberdade de informação, como seria a escolha do consumidor, diante de tendências mercadológicas? 
Se, por outro lado não houvesse cobrança maior de órgãos de saúde pública  talvez, seríamos consumidos de maneira assombrosa pela publicidade de produtos com superprodução e apelos psicológicos, que destacam  bem estar; a vida em família; o jantar à mesa; o café da manhã, a vida saudável, o que, de fato é algo fictício, como explorado em toda publicidade, cujo "enredo" é preparado estrategicamente, com a participação até de especialistas para garantir um melhor efeito psicológico que leve o público a despertar, de algum modo,  interesse pela  experimentação do produto anunciado. 

O apelo positivo pode até existir.
Mas é a imagem que aguça o apetite. 

O incentivo ao exercício físico, a dieta equilibrada; a diminuição do consumo de alimentos gordurosos e pré-prontos, tem levado a indústria da publicidade sugerir uma outra abordagem das propagandas, mas, que de fato, não muda a fórmula desses alimentos nem altera o seu efeito.

Quando poderíamos imaginar um comercial de margarina incentivar a prática de esportes,  por exemplo? E aquela famosa rede de lanchonetes americana, reconhecida por seus sanduíches calóricos e gordurosos cada vez mais incrementados,  oferecer saladas em seu cardápio?

Certamente, essas medidas são tomadas, principalmente, porque a população está  melhor informada sobre o fato de a ingestão de alimentos ter uma íntima ligação com a saúde e a qualidade de vida. Isso não significa "conversão" das indústrias desses alimentos. Só o discurso muda, para ganhar a simpatia dos que aprenderam estar mais atentos à saúde.   

A abordagem muda. Só não se altera a essência desses produtos que ainda estão presentes nas gôndolas dos supermercados com uma variedade excepcional nunca vista antes em toda a história da produção e consumo de alimentos. É cada vez maior o número de produtos pré-prontos e uma infinidade de alimentos expostos, que oferece maior praticidade e comodidade para uma nova geração refém do tempo.  É essa a abordagem dos comerciais: Você não precisa saber cozinhar. É só levar ao forno, e pronto! Já existe todo tipo de alimento preparado, com o modo de fazer da indústria gastronômica.

Já foi o tempo em que os lares produziam uma maior quantidade de lixo orgânico, exatamente por consumir produtos in-natura. Dificilmente via-se nas lixeiras, tantas embalagens de alimentos, como se vê atualmente. Lembro-me bem de quando eu era criança, o lixo produzido lá em casa era casca de batata; talos de verduras; cascas de cebola; restos de legumes, etc, que serviam de adubo para a horta do quintal. 

Preparação do alimento:
cena cada vez mais rara na família moderna


Com o passar do tempo e com a modernidade, em que a mulher também passou a ocupar várias funções, o papel da mãe cozinheira que preparava os alimentos para os filhos tornou-se menos praticável. 
Dificilmente observa-se hoje as mamães preparando o bolo, batendo a massa, junto aos filhos. Já tornou-se comum até a merenda ser comprada nas cantinas das escolas.  É mais prático comprar o bolo pronto, do sabor que quiser. É menos trabalhoso dar o dinheiro para o filho comprar o lanche na escola, do que preparar a merenda em casa, como era costume muito comum em décadas passadas. Dentro da "lancheira" ou "merendeira" como se chamava o recipiente que as crianças levavam penduradas no ombro, levava-se o que a mamãe preparava. 

Sem dúvida, essas  pequenas  atitudes  ao longo dos tempos, vem trazendo efeitos que  podem ser percebidos na saúde. O hábito de preparar os alimentos tem se perdido – e somos bombardeados a todo instante por publicidade de uma variedade de opções em comidas e guloseimas. O efeito disso é rápido. Hoje em dia, até mães que amamentam, tem a opção de armazenar o leite para que não seja necessária sua presença na hora de alimentar o filho, deixando a cargo de outra pessoa - por causa de suas obrigações de trabalho fora de casa. Essa mudança de comportamento social, também podem gerar seus reflexos na afetividade. O simples fato de a mãe preparar o alimento para o filho, demonstra carinho e cuidado especial. É bem verdade, que aos poucos, a tendência é que esse comportamento se torne comum, fazendo com que nos adaptemos a essas situações. 


VOCÊ DECIDE
Mas, para ninguém ter do que reclamar, as famosas marcas desses alimentos, patrocinam campanhas de saúde, incentivam o esporte, etc.

Alimentos congelados pré-prontos.
Opção para quem não tem "tempo".
A suma é: Você pode comer a vontade, mas faça exercícios. Você pode beber, mas beba com moderação; se beber não dirija. Coma aquela feijoada gordurosa, mas tome aquele antiácido, que resolve.

De algum modo, sempre se recorre a paliativos para, ninguém tendo do  que reclamar,  passa a se responsabilizar pela escolha e consumo desses produtos. De verdade, é mais uma maneira hipócrita de tratar essa questão, por mais que queiramos olhar positivamente para as mensagens que apenas servem como  “licença” para que as fórmulas consideradas nocivas continuem fazendo parte da composição desses alimentos. No final das contas, diante de tanta apelação, é como se dissessem: eu avisei: “bebeu por que quis; comeu por que quis; fumou por que quis”. Não reclame. Eu avisei!
Alimentos congelados e semi prontos
 são expostos em locais estratégicos










A  ABIA (Associação Brasileira da Indústria Alimentícia), fez um levantamento sobre o consumo  de refeições (pratos, lasanha, feijoada, sopa, massas e outros), lanches, pizzas, pães e salgadinhos prontos para servir e resfriados aumentou suas vendas a taxas médias anuais de 13,2% entre 2005 e 2009. A ABIA  estima ainda que o volume de consumo no setor, foi de R$ 2,78 bilhões em 2009.   


O poder de consumo do brasileiro aumentou, segundo estatísticas e estudos socioeconômicos,  mas  não há educação alimentar adequada para a seleção e uso racional dos alimentos. Comida e prazer estão associados, mas a principal função dos alimentos é nutrir. 

O DIA EM QUE AMEI UM LADRÃO

Ele era um homem aposentado. Morava numa cidade pequena e, todos os dias sentava no banco da praça para ler jornal e seus livros. Tornou-se uma figura conhecida por quem passava frequentemente pelo local.

Foi numa cidade pacata, de pouco mais de 30 mil habitantes. E em mais um dia daqueles, ele estava bem alí, e já começava a anoitecer, quando o zelador da praça começou a acender as luzes.

Do outro lado da rua, em frente à igreja parou um carro. Desceram dois jovens, que adentraram pelo portão de ferro, até que sumiram da vista do idoso, pelo corredor lateral. Ele estava ali, observando tudo. Até que os jovens saíram da igreja com alguns objetos e aparelhos de som; colocaram dentro do carro e sairam, como se nada tivesse acontecido. Eles viram o velho na praça, com aparência inofensiva, não parecendo nenhuma ameaça. Mas, um daqueles jovens foi reconhecido pelo velho aposentado. Era filho de um velho amigo e viu o dia em que aquele menino nasceu e a educação que seus pais lhes dava. Logo em seguida, a polícia chegou ao local.

E ele continuava ali na praça, quando dele se aproximou os policiais, abordando-o perguntando se ele teria visto alguma coisa.
O amor age com sabedoria
pois é sábio em sua essência
Os policiais conseguiram deter um deles, recuperando os objetos furtados. Mas era exatamente aquele menino que viu crescer. Aquele senhor foi chamado para reconhecer o jovem diante do delegado. O jovem ficou assustado, porque conhecia o velho amigo de seu pai que estava ali agora para reconhecê-lo como quem furtou a igreja da praça. O delegado perguntou se o idoso reconhecia o rapaz como sendo o que furtou a igreja. Ele disse que não, que não foi aquele rapaz. E, finalmente, tanto o suspeito quanto o velho aposentado saíram da delegacia.

Naquele momento, o rapaz, desconcertado com o que havia acontecido e ,surpreso com a atitude daquele homem, perguntou o porquê dele tê-lo poupado.  Foi quando o velho respondeu que o conhecia desde criança; sabia do amor dos pais por ele; e do interesse de seus pais em dar a ele o melhor para se tornar um homem de bem. O homem disse ao rapaz, que havia feito isso por amor a seus pais e a ele, pois sendo um jovem ainda, tinha a grande oportunidade de mudar de vida naquele momento, enquanto não criasse raízes no crime futuramente.

Aquele jovem chorava enquanto ouvia as palavras daquele senhor e prometeu ali mesmo mudar de vida. E assim o fez. O menino estudou; tornou-se um advogado renomado em sua cidade; constituiu família. E o velho sempre dizia em sua mensagem de amor: "no dia em que amei um ladrão, ele deixou de ser ladrão".


Na vida, nem sempre deparamos com um velho sábio como este que, mesmo sabendo do crime que aquele rapaz cometeu, não pensou apenas que a justiça fosse executada pela lei que é fria e cega. Ele pensou naquele jovem. Ele o conhecia, assim como sua família; o viu nascer e trazer alegria aos pais.
O errante precisa de um amigo, não de um crítico.
A grande justiça, é a justiça do amor. Aquele jovem foi tocado pelo amor que começou naquele instante motivá-lo a mudar de vida. O amor provoca mudança.
As vezes exigimos amor, mas não reconhecemos que precisamos mudar diante dele. Continuamos a praticar nossos erros contra o semelhante, conscientes de nossas responsabilidades. Nem sempre pode-se enxergar as provas materiais dos crimes que cometemos. Mas assim fazemos, quando maquinamos o mal contra o nosso irmão; mentimos contra ele; o invejamos e o prejudicamos com nossas ações premeditadas e ocultas.

Mesmo assim, Deus conhece e sonda os corações. E, mesmo que as provas dos nossos erros não sejam expostas, enraizadas nos sentimentos do coração, Deus, com seu amor pode perdoar e limpar toda a mancha que temos na alma. Mais um ano se inicia. Permitamos que o amor de Deus transforme nossa vida.


Esse é um fato verídico que ouvi do próprio idoso em 1997, durante uma conversa que tivemos sobre os valores da vida e o comportamento humano diante de situações nas quais somos inclinados a julgar com os métodos que aprendemos. Achei propícia a postagem deste texto e, ao mesmo tempo, fazer uma aplicação sobre o amor de Deus por nós.

domingo, 1 de janeiro de 2012

O CAVALO DA SORTE


O cavalo branco

Há muitos que provocam uma oportunidade, porém, quando ela se abre, nem sempre  cumprem  os requisitos para usufruí-la plenamente.

"A oportunidade é um cavalo branco que passa somente uma vez na vida. Se ele passar e você não montá-lo você não terá mais chance”.
Há quem considere o fator "sorte"
para a realização na vida.
 


Assim falava seu Vicente. Era um homem idoso, alegre, espontâneo, tinha algo de misterioso nas palavras, como essa que transcrevi. Morava no mesmo bairro que minha família. Tinha uma risada forte, dava para perceber sua presença ao longe. Gostava de contar causos e anedotas a quem parava para ouvi-lo.

Fui crescendo e, de vez em quando, parecia ouvir a voz do seu Vicente na minha mente. E começava a pensar e refletir sobre aquela frase. Eu era ainda um menino, e achava uma crueldade a tal  “oportunidade” passar uma única vez na vida. Não me conformava com essa idéia. Oportunidade é algo abstrato, mas se materializa quando estamos aptos para recebê-la. Aptos ou não para aceitá-la, ela ocorre quando a “provocamos” também.  

Há muitos que vivem provocando oportunidade, porém quando ela se abre, nem sempre cumprem os requisitos para usufruí-la plenamente. Mesmo havendo possibilidades de novas oportunidades, aquela que deixamos passar não é recuperável. Cada oportunidade é única e insubstituível. Se não estivermos aptos para usufruí-la, ela passa a outros.

Mas a oportunidade, ao contrário do pensamento do “filósofo popular” não é algo que surge misteriosamente como um cavalo branco que passa esperando que alguém suba em seus lombos e cavalgue como se esse fosse o ápice de uma realização.  O “montar” o cavalo poderia ser apenas a primeira ação, diante  de uma oportunidade pois para a cavalgada segura, é preciso ter preparados todos os apetrechos e equipamentos para “guiar” essa oportunidade pela estrada afora. Sem essas medidas de segurança, a oportunidade pode se perder pelo caminho, “chacoalhada” pelo trote.
Na estrada da vida também
deparamos com trechos perigosos


Esses apetrechos e equipamentos, seriam as condições que criamos, sejam materiais ou imateriais.  O “trote” da cavalgada representa os embates, os desafios, e  os confrontos no decurso da jornada.  É preciso estar consciente sobre a maneira, o tempo e a hora de utilizar esses mecanismos de segurança. É a lucidez sobre os nossos atos, os propósitos e os planos que “desenhamos”, que nos mostrarão o momento certo de agir com mais intrepidez e energia para nos mantermos no caminho da conquista sem desanimar.  Não são  as  ferramentas  o mais importante: é a maneira de manuseá-las que faz a diferença. Há muitos que perdem grandes oportunidades, mesmo com todos os elementos favoráveis e com todo suporte para seu desenvolvimento.


Ted Williams - mendigo que ficou famoso pela
"Voz de Ouro" e ganhou emprego
numa emissora de rádio americana.
Alcoólatra, teve problemas de relacionamento no

trabalho. 
De certo modo, as oportunidades estão sempre diante de nós.  O   preparo que pensamos ter, é que determina nossas ações de ousadia para encará-las. Isso não se refere apenas ao preparo didático acadêmico ou por teorias, mas também à disposição interior do indivíduo diante de suas motivações.

A capacidade de lidar com as oportunidades é, em muitos casos, amadurecida diante da percepção e análise profunda do indivíduo sobre suas potencialidades. Há muitos que inicialmente não se achavam capazes de exercer alguma função ou assumir responsabilidades, mas com a aceitação do desafio e  com olhar em suas limitações com o objetivo de buscar alternativas tornaram-se aptos a superar dificuldades.
É preciso ficar bem definido que a atividade precisa testemunhar de quem a exerce. É o trabalho que torna alguém  reconhecido e, consequentemente, requisitado a realizar seus serviços. Quando alguém chega a esse nível, é certo que as oportunidades se abrem ainda mais. Novos horizontes se despontam. É a maneira de conduzir e lidar com as experiências, levando-se em conta as exigências e, por outro lado, com a consciência  de até aonde se pode avançar, bem como com atenção voltada às reformulações e atualizações, tornará o indivíduo apto a permanecer em movimento constante, construindo, inovando, crescendo.
Não seria inteligente olhar a oportunidade como algo que surge aleatoriamente. A melhor oportunidade é aquela que construímos, de acordo com nossas aptidões, auto-confiança e determinação sobre o que fazemos, não somente as oportunidades que nos propõem. 

Algumas oportunidades propostas podem confrontar-se com juízo de valor, princípios morais ou religiosos, ou à alguma questão de foro íntimo, relacionada à formação de caráter, às crenças, etc. As realizações em todas as esferas só se concretizarão em sua essência, se elas estiverem em sintonia com a consciência individual desses valores. Para muitos, melhor que a realização profissional ou financeira é a paz interior, com a certeza do cumprimento de seus deveres  sobre  o que  julga  mais importante. Diante de uma oportunidade é importante considerar não apenas o que se vai ganhar, mas de que maneira esses “ganhos” poderão evoluir para  perdas do que já se conquistou em várias áreas da vida. Diante de oportunidades, é preciso tomar decisões. E não há decisão sem perda.  
A maneira como subimos a escada da vida,
pode determinar a nossa permanência no topo. 

O topo nem sempre é o lugar  que alcançamos
mas a atividade que praticamos.

É muito comum ter que abrir mão de alguma coisa para obter outra. É preciso considerar se essas perdas são recuperáveis ou como sobreviver a elas caso não haja uma maneira de repará-las. O indivíduo arrisca-se a entrar em choque consigo mesmo quando avança em determinado terreno, desprezando seus valores.  A   longo    prazo,  isso  pode   custar-lhe a paz de espírito, o que torna-se um entrave para a felicidade e uma vida de realização plena. A plenitude da realização não está na dimensão ou no valor da conquista, mas em sua essência imaterial. É aquilo que resta em nós quando perdemos de vista o que é concreto. A real prosperidade na vida, a partir de uma oportunidade,  não se dissocia desses valores. Aliás, os valores imateriais são aqueles os quais ninguém poderá roubar-nos. É aquele que não se perde, mas se renova na manutenção dos princípios, na linha da boa fama, da decência, da solidariedade, da honestidade e da honra. Prosperidade não se baseia na materialização de um sonho, apenas. O material é somente a prova de uma conquista, onde não terá que se provar a maneira como foi conquistado.

A luta entre a carne e o espírito é o maior desafio que o homem tem que enfrentar. Porque é uma luta dele contra ele mesmo em sua introspecção. Não há como substituir. São as nossas intenções que trabalham a nosso favor ou contra nós. São as intenções que nos revelam, de fato, o que somos, de acordo com os métodos que escolhemos.