domingo, 18 de novembro de 2012

‘O DIABO TAMBÉM CURA’



Fiquei  impressionado  com  essa  afirmação dada por um ex-“pai-de-santo”, com quem conversei  recentemente. Segundo ele, a primeira coisa que desenvolveu quando entrou para a prática espiritista  foi o “dom” de curar. 
Foi assim que sua fama cresceu e ele não sabia como tudo isso acontecia, segundo o que relatou. “Era algo que eu não tinha o controle” – afirmou. 

“Quando alguém vinha falar comigo, eu já dava a ela o relatório do que veio fazer, de onde veio e o que queria”. Sua credibilidade aumentava exatamente por essa capacidade. Ele disse acreditar que o diabo põe a doença e ele mesmo tira, para iludir as pessoas, para enganá-las, para atraí-las a ele.  

“Eu entendo hoje que eu não tinha o dom de cura. Todo dom vem de Deus, e o diabo não é capaz de dar dons a ninguém. Na verdade eu era usado pelo diabo; eu era um instrumento pelo qual ele operava seus milagres”- disse.
Segundo o que ele me contou na conversa que tivemos, hoje ele não consegue fazer com que pessoas fiquem curadas por suas orações, por isso acredita que o que fazia enquanto estava na prática daquela religião era por obra de satanás. 
O plano de Deus para o homem, certamente não é sustentado por sinais e prodígios como muitos acreditam. Essa artimanha foi usada também no passado segundo a revelação bíblica, pelo inimigo de Deus.  Havia feiticeiros como o episódio em que transformaram seus cajados em serpentes e, este mesmo poder teve Aarão que em nome de Deus transformou seu cajado em serpente que engolia as outras, dando mostras de que o poder de Deus é maior. Espírito de adivinhação, por exemplo, provem do maligno para iludir as pessoas para que elas pensem estar no caminho certo e caem em armadilhas. "O que uma pessoa pode pensar se ao procurar um líder religioso e este contar toda sua vida, e o que ele procura? Era isso o que acontecia comigo e eu não era usado por Deus" - disse o ex-pai-de-santo.  Para Ele, a revelação que precisamos para a nossa vida e a nossa salvação, está na Bíblia. "Para quê Deus teria que revelar coisas óbvias na vida de alguém? Quem dirige em alta velocidade e não respeita os sinais, é candidato a acidentes" - considerou, acrescentando que é isso que acontece com os adivinhos de hoje. "O diabo também sabe tudo o que fazemos, e ele usa isso para iludir as pessoas para que elas pensem que encontraram a verdade, mas não as leva à libertação".

Êxodo 7:9 Quando Faraó vos disser: Fazei milagres que vos acreditem, dirás a Arão: Toma o teu bordão e lança-o diante de Faraó; e o bordão se tornará em serpente.
Êxodo 7:10 Então, Moisés e Arão se chegaram a Faraó e fizeram como o SENHOR lhes ordenara; lançou Arão o seu bordão diante de Faraó e diante dos seus oficiais, e ele se tornou em serpente. 


E Faraó também chamou os sábios e encantadores; e os magos do Egito fizeram também o mesmo com os seus encantamentos. Exodo 7:11. Porque cada um lançou sua vara, e tornaram-se em serpentes; mas a vara de Arão tragou as varas deles.

Deus fala para Moisés e Arão, que quando o Faraó pedir um milagre, eles deverão lançar sua vara no chão e ela se tornará uma serpente. E assim fizeram, e a vara se transformou numa serpente. Mas os magos egípcios duplicam este truque. Para sorte de Arão, a cobra dele engoliu as outras.Êxodo 7:12.

O engano do inimigo imita quase que fielmente a verdade de Deus. As curas que promove, são semelhantes a que Deus opera. “Hoje eu posso dizer isso com muita certeza depois da experiência que eu tive; o diabo também cura, e parece  ser cura divina, porém quem testa os espíritos e conhece a palavra de Deus, certamente consegue discernir. Por isso é muito importante estar embasado na revelação divina” – disse o meu entrevistado. 

Eu logo me lembrei da passagem:

Satanás oferece os reinos do mundo
"Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros (de satanás) se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras"  (2 Coríntios 11: 13 -16)
A cura que o inimigo opera, não sugere nenhuma mudança de estilo de vida. As pessoas são curadas e continuam praticando as mesmas  coisas, continuam nas mesmas práticas que levam à destruição.  A cura que recebem não as leva à libertação nem à conversão. 


Certa vez ouvi o testemunho de uma senhora que dizia ter sido curada da hipertensão. Dizia ela: “Eu não podia comer sal; minha comida não tinha sal nenhum porque se eu comesse comida com sal, minha pressão subia; eu recebi uma “oração” e fui curada da hipertensão. Hoje eu como sal à vontade”.  Ou seja:  a cura não promoveu mudança de hábito. A conversão à Deus requer mudança de vida; o abandono de  práticas que levam à ruína.
Há determinadas religiões que sugerem a utilização de objetos, ou até mesmo a aquisição de apetrechos “abençoados” como elemento de proteção, capazes de promover cura, prosperidade, entre outros desejos das pessoas que são “convocadas” a possuir tais objetos, desde fita a vasouras;  pulseiras a  travesseiros. O exercício da fé vem por uma sugestão objetiva, de algo que precisa ser feito; de uma oferenda. 

Alguns rituais praticados por religiões, atraem multidões
Na verdade, o milagre que Deus opera no indivíduo é a conversão. A cura da doença física é possível a Deus, mas a cura espiritual é o que Ele promove na vida de todo aquele que o busca com sinceridade de coração, não apenas como um meio para obter somente aquilo que deseja.  Deus tem algo infinitamente mais para os seus. A cura física e a cura espiritual. É essa a testificação de que o milagre veio do Senhor. 

Na tentação de Jesus, tornou-se notório o poder que o diabo exerce sobre a terra. Ofereceu a Jesus os reinos do mundo, a prosperidade; ele sugere pão, proteção. Mas Jesus venceu, apontando para o que é  eterno,  não transitório.  O pão que comemos, acaba, mas o pão que Jesus oferece é para a eternidade. Podemos até receber a cura, mas é o sangue  de Cristo que nos purifica de todo o pecado e nos conduz à salvação eterna.   Na tentação de Jó, ficou evidente o poder que o diabo tem de tocar na vida das pessoas e maior o poder de Deus para restituir aquele que passa pela prova, sem blasfemar.  Mas Jó estava firmado em Deus, em seu redentor a quem veria futuramente, segundo o que declarou, demonstrando que tudo o que possuía não o afastava de seu Senhor e Salvador.

A cura, o milagre, a libertação que vem do Deus eterno é tão forte que chegamos ao ponto de dizer ou aceitar: “Se esta casa que é o meu corpo se desfizer, tenho em Deus um edifício”; “Fique sabendo ó rei, que o Senhor pode nos  livrar  de suas mãos.  Mas se não livrar, não nos ajoelharemos diante de sua imagem”. É estarmos satisfeitos com o Senhor, quando a Ele clamamos para nos tirar o “espinho na carne” e Ele nos responde: “A minha graça te basta”.

"MILAGRES SUSPEITOS"

Algumas Igrejas evangélicas se notabilizam pelo poder de cura de seus líderes, o que chama a atenção de multidões que os procuram para sanarem seus problemas de saúde ou buscar alguma solução para seus problemas financeiros, entre outros. Não faz muito tempo, uma polêmica envolveu o apresentador Ratinho e o líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, Apóstolo Valdemiro Santiago. Na televisão, um homem dizia ter recebido uma bênção após ter passado a toalhinha - vendida pelo apóstolo -  na porta do banco e por isso, teve sua dívida bancária zerada. O apresentador Ratinho ao comentar este assunto, acusou o apóstolo de charlatanismo. 
Milagres são oferecidos em programa de TV
Não é raro o religioso levar ao palco de sua igreja pessoas que disseram ter sido curadas, mas dificilmente apresentam sinais de que isso realmente é verdade. Recentemente uma menina de 08 anos de idade levada ao palco era amparada pela mãe, que dizia ser sua fílha paralítica de nascença e que fora curada pelo apóstolo. A menina mal caminhava; trocava alguns passos e caía ao chão. A maneira de o apóstolo conduzir a apresentação do suposto milagre tentava desviar a atenção. Uma outra menina apresentada pela mãe, teria nascido sem um dos pulmões e a oração do apóstolo fez nascer outro pulmão na criança. Apresentação pública desses episódios merece constatação pontual para certificar a cura: onde essa menina recebeu atendimento? que exame atestou que ela só tinha um pulmão? onde está o depoimento do médico que atendeu a menina? 
E como está a vida hoje daqueles que se apresentaram no programa dizendo terem sido curados ou terem seus problemas resolvidos?  


Outro líder religioso que se notabilizou pelas curas foi o Missionário David Miranda, que também foi acusado de charlatanismo. A Igreja Deus é Amor, era, inclusive chamada de "Pronto Socorro de Jesus".  Havia suspeitas de que eram contratadas pessoas que se passavam por doentes que eram "curadas", e isso atraía multidões em busca de milagres.


A CURA QUE JESUS PRATICAVA

A cura que Jesus praticava era para demonstração de seu poder diante dos incrédulos. Foi assim em muitos episódios. Na ressurreição de Lázaro, Jesus realizou o milagre depois de o corpo de seu amigo ter entrado em estado de putrefação, porque muitos não acreditavam na ressurreição dos mortos, começando pelos saduceus. Jesus não usava os milagres para aumentar sua popularidade e atrair as pessoas, diferentemente do que ocorre com líderes religiosos que dizem curar em nome de Jesus. A cura do paralítico de nascença, que em nome de Jesus foi curado pela ministração de Pedro e João, entrou no templo saltando, pulando, agradecido pelo milagre. A Bíblia não diz que ele foi amparado nem que trocou alguns passos com dificuldade. O relato bíblico revela que o paralítico saltou pelo templo. 
As curas e milagres de Jesus eram claras, não deixava sombra de dúvida.


Não podemos condicionar o poder de Deus ou o poder de uma igreja ou de um líder religioso aos milagres operados,  mas a vidas transformadas pelo poder de Deus e o ensino de sua palavra que dá vida, e vida em abundância. 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

VIVA E DEIXE VIVER




No ato de amar, o mais forte protege o mais fraco

Ainda em campanha, o candidato Republicano ao Senado dos Estados Unidos na última eleição Richard Mourdock, deu uma declaração polêmica ao dizer que "gravidez após estupro é vontade de Deus". Ele representa o Estado da Indiana.


Pela linha de pensamento do político, a vida gerada é isenta de culpa ou responsabilidade de um ato criminoso. Ele se referia não ao estupro como sendo algo que deva ser aprovado, nem se tratava de apologia ao crime, mas referiu-se à gravidez. "A vida é um dom de Deus" - afirmou. Nesse caso, (de estupro) o aborto não deveria ser estimulado por campanhas massivas, mas caberá à decisão da gestante pela gravidez. Segundo o pensamento do candidato, a gestação de uma vida é totalmente isenta de culpa, pois trata-se de algo natural. 

Sim. Que papel desempenha o homem ou a mulher na geração de um filho, a não ser pela vontade de Deus? Ao casal cabe apenas o ato sexual e nada mais. A formação e o desenvolvimento de um embrião foge ao controle humano, por isso o direito de posse não o pertence, a não ser o cuidado.  


A POLÊMICA DO ABORTO

Certa vez criei polêmica em sala de aula, ainda no ginasial, quando a professora pediu para fazermos um trabalho sobre "gravidez indesejada". Foi quando perguntei: -Professora, o risco de uma relação sexual não é o engravidamento? - Sim, respondeu ela. Então como podemos afirmar que uma gravidez foi indesejada? Não é de conhecimento esse risco de engravidar?



O assunto gera polêmica em todas as esferas da sociedade porque envolve questões religiosas que defende o princípio da vida em que o homem não teria o direito de interferir, em contraste com a decisão da interrupção da gravidez, muitas vezes levando em conta as condições sociais ou emocionais da grávida, para levá-la adiante.

Movimentos feministas aclamam o direito de a mulher decidir sobre o que fazer com o próprio corpo, especialmente na questão que envolve o aborto.

A Constituição Brasileira já autoriza o aborto em caso de estupro ou má formação do feto, ou quando a gravidez ofereça risco de morte à gestante. Mas para isso, conforme estabelecido, é necessário um pedido formal à justiça.

As recentes discussões no Brasil pela aprovação do aborto tentam sensibilizar a população diante da morte de milhares de grávidas que procuram clínicas clandestinas para interromper a gravidez. Ou seja, toda essa "campanha" procura estabelecer um olhar unilateral, pois leva em conta somente os riscos da gestante em questão de saúde, subtetendo-se a um procedimento arriscado, mas não se faz menção à vida do feto em formação, que é retirado brutalmente do ventre materno sem o poder de decidir, considerado, segundo o olhar humano, uma "monstruosidade".
Só Deus pode gerar vida.

O engravidamento "sem querer", pode ser visto como ato irresponsável, frente ao fácil acesso a métodos contraceptivos que impedem a fecundação após a relação sexual.

O discurso com elevada carga emocional, sensacionalista e populista, neste caso, que chega a criticar o fato de os ricos não serem expostos pois tem dinheiro para pagar e quem não tem recorre ao risco do aborto clandestino, não minimiza o peso da ação, da culpa, nem das consequências que tal ato provoca. Tendo dinheiro ou não, o que está em questão, não são as condições sociais, ou quaisquer outros motivos que venham ser utilizados como argumento para justificar o aborto. O que está em questão é o aborto; o assassinato de uma vida sem chance de defesa.

Em muitos casos, o aborto ocorre em relações em que não há estabilidade emocional, nem vida em comum pelo casamento. O aborto provocado não ocorreria numa relação estável como é o casamento. Ele é praticado em muitos casos, após atos impensados de uma relação relâmpago. Em outros casos, ocorre como uma maneira de adolescentes ocultarem o caso da família, que vêem na gravidez uma ameaça ao seu futuro. A condição de pobreza não pode ser atribuída como um fator determinante para o aborto. O que está em questão é o amor à vida que é um Dom de Deus.



A Revista Veja de 14 anos arás, trouxe reportagem e entrevista com mulheres famosas.  Na maioria dos casos, o relato apresentava as experiências sexuais dessas "estrelas" em sua idade precoce em que não estariam preparadas para a maternidade, segundo o que afirmaram. O ato sexual estava mais relacionado ao prazer, do que ao desejo por filhos. O aborto certamente ocorreu por este motivo e o feto, sem poder de escolha, pagou o preço desse "prazer". Este é o maior sinal do egoísmo humano, quando o próprio interesse justifica até mesmo a prática de atos criminosos, resguardando o "direito" de uns, em detrimento à fragilidade pela defesa de outros que sequer podem clamar a seu  próprio favor. 
O fato de pessoas famosas e de grande influência social terem praticado aborto, não torna legítimo o ato, nem suficiente para torná-lo aceitável, apesar de, em muitas situações, depoimentos de personagens populares ajudarem a mudar a concepção, ideias e até certos costumes de pessoas que vêem nestes alguma base de referência. É natural que os "famosos" exerçam certa influência aos que os consideram, e a exploração da mídia neste sentido, torna-se uma grande arma quando se pretende mudar o pensamento coletivo convergendo-o para uma filosofia de vida, um comportamento e até mesmo a ações.




domingo, 28 de outubro de 2012

A "DOUTRINA" DA MISERABILIDADE



Uma graça alcançada traz satisfação e sentimento de gratidão. Há os que se sacrificam para demonstrá-la
              Somos pecadores. Pecadores arrependidos, não pecadores iníquos praticantes voluntários e conscientes dos erros que nos fazem pesar a consciência. Pois se assim o fazemos, não estamos pecando contra Deus como nos fazem pensar e, que por meio disso, tememos o castigo divino. Isso pode nos fazer pedir perdão a Deus, por  um erro que nós temos que reparar diante de nós mesmos  e  de  quem  consequentemente sofreu pelos erros que cometemos.  Na realidade, quando sabemos fazer o que é o correto e não o fazemos, o pecado é contra nós mesmos. "Aquele que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado". Passamos a vida vivendo uma religião como "pagadores" de promessas e dívidas com Deus, em vez de experimentarmos a libertação que Cristo nos concedeu. A "doutrina" da miserabilidade humana tem produzido crentes supersticiosos, orientados a cumprirem exigências para alcançarem a Deus; a oração ou reza, a leitura da bíblia ou qualquer outra literatura religiosa, não servem de outra coisa a não ser uma espécie de "amuleto" de proteção. Há quem diga que "se ficar um dia sem rezar, tudo dá errado". Condiciona-se o fato de as coisas darem errado pela reza esquecida, ou pela Bíblia não lida, sem considerar que a prática da presença de Deus é algo que pode estar impregnado em nossa vida ao bebermos da fonte, não de seus afluentes. Assumimos o tempo todo que somos pecadores e miseráveis e escondemos nossas responsabilidades por trás do discurso de que não somos "perfeitos", sem, contudo, mirar nosso olhar para Cristo, a nossa justiça.

Aprendemos a sacrificar o corpo, ao invés de cultuarmos com o nosso entendimento de que o culto racional é que nos trará libertação. Preferimos aceitar que somos "bichinhos", "insignificantes", "miseráveis", o que de fato não trazem resultados práticos em nossa vida.  Pagamos a penitência diariamente, e tudo permanece como antes; nada muda e parece que Deus não opera o milagre da transformação que nos fazem entender que Ele opera. Mas segundo Paulo, a transformação vem com a renovação do entendimento. Essa é a nossa parte, é responsabilidade nossa. O mesmo Paulo que em determinada circunstância autodenominou-se miserável, foi o mesmo que disse que quando Cristo o fortalecia, ele era capaz de vencer todas as dificuldades; foi o mesmo que disse não se envergonhar do evangelho de Cristo, o poder de Deus que dá ao homem a possibilidade de salvação. 

Os exemplos dos homens de Deus do passado, as frases, os pensamentos, não deveriam transformar-se em “doutrinas”, pois tudo o que diziam e faziam, era de acordo com suas experiências, que certamente não ocorre de igual modo, com a mesma intensidade na vida de outras pessoas. O desejo de viver essas experiências, de alcançar a “perfeição” tão perseguida pelos crentes, é  demasiada carga que põem sobre seus ombros, que muitas vezes declina-se para a ruína e descrença. Se Paulo considerou-se miserável, certamente foi num momento em que ele se deparou com sua fraqueza; a miserabilidade não seria uma obrigação do ser humano, mas esta é uma condição. Davi foi  considerado  um  homem “segundo o coração de Deus” – havia motivo para isso. Queremos nos tornar segundo o coração de Deus por um esforço “farisaico”, as vezes, buscando cumprir nossas obrigações como crentes, de igual modo trazemos de volta essa carga pesada de responsabilidades sobre os nossos ombros. 

A Bíblia não deveria ser utilizada como um "amuleto da sorte"
Com essa mentalidade, criamos crentes de baixa  auto estima; depressivos, tristes por erros que  os fizeram entender que cometeram. Por outro lado, essa “depressão” espiritual, 


ocorre  quando sentimos que não alcançamos o patamar espiritual que imaginamos ou nos fizeram imaginar que podíamos alcançar.  É assim que muitas vezes o sistema religioso escraviza as pessoas. Com um evangelho que não leva à libertação, mas a um sentimento de culpa, pela insuficiência das nossas ações.
  
É notório que ainda hoje vivamos um evangelho penitente, supersticioso, das ações permutativas em que trocamos nosso bom comportamento por uma boa ação de Deus a nosso favor e ignoramos que é a graça de Cristo operada e aceita em nosso viver, que promoverá toda a mudança que almejamos. Mas ainda não fomos convencidos de que a graça de Cristo basta. Queremos mais. Esforçamo-nos sobremaneira porque não estamos satisfeitos e, mesmo dizendo entender que a graça é o suficiente, nossas ações ainda são confusas. Ainda nos preocupamos com relatórios; com a participação ativa numa obra missionária  e isso, muitas vezes ocorre de maneira pesarosa, “obrigatória”, como se fosse o cumprimento do nosso dever, e que dele dependeria a nossa salvação. Quando aceitamos a graça de Cristo, quando ela basta em nossa vida, tudo fluirá de maneira natural, contagiante e multiplicativa. O  entendimento  contrário, ou seja, pelos nossos próprios méritos, pode ser um grande empecilho para que a graça se opere verdadeiramente em nossa vida. 

A humilhação perante Deus como uma medida cerimonial oriunda do entendimento de nossa dependência de dEle, não surtirá efeito se não for acompanhada de arrependimento consciente e de alegria pela libertação alcançada por sua graça. Dizer que somos miseráveis pode não alterar nossa condição, mas a aceitação da regeneração em Cristo trará grandes mudanças.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

NECESSIDADE DESNECESSÁRIA



Ela resolveu levar uma vida diferente. Hoje diz ser muito feliz. Ao contrário do apelo social de que viver com dignidade é não depender dos outros, ela preferiu mudar o termo. Na vida, tudo pode ser uma troca. A fisioterapeuta alemã declarou que dá aos outros o que ela tem, e recebe o que precisa. Faz 16 anos que não pega em dinheiro. Tudo o que precisa: alimento, roupa e teto para abrigar-se, obtém por meio do compartilhamento do que sabe fazer, em troca do que precisa para sobreviver.
Entre outras coisas, há quem associe um passeio
na praça, ao consumo de sorvete

Ela vendeu tudo o que tinha, inclusive seu apartamento e fez várias doações para quem ela dizia crer não ter nada.

Parece algo assustador diante dos apelos pelo acúmulo de riquezas e bens; soa estranho, quando consideramos que todos precisamos de segurança para viver, pensar no futuro. Para essa mulher é sempre uma experiência nova a cada manhã, pois, não faz planos e não sabe o que lhe acontecerá no dia seguinte. Aos olhos alheios parece loucura. Mas dificilmente entenderemos as ações dos outros, quando não conseguirmos mergulhar em sua realidade e sentir o que os outros sentem. É algo que certamente só quem decide é que sabe o que vive. Dificilmente conseguirá contagiar aos outros com seu comportamento, pois é algo íntimo, profundamente pessoal.

Mas isso não parece algo tão estranho. Hoje, é possível encontrar pessoas que vivem com muito pouco no contexto social, que conseguem viver com o que é extremamente necessário e que não se permitem às influências externas, das sugestões de consumo e status. De que precisamos mais além de teto, comida e roupas? Assim já dizia o Apóstolo Paulo. Tendo o que comer e o que vestir não bastaria?

Jesus quando aqui esteve, não tinha uma casa, normalmente repousava em casa de amigos e ceiava com eles. Ele tinha uma missão que era bem entendida àqueles que o conheciam. Não comprava alimentos pois comia com seus amigos, nem necessitava de dinheiro para viver.
Manipular o próprio alimento já não satisfaz
O pão comprado parece mais "gostoso".

Algumas religiões ensinam que as pessoas precisam dar para receber, assim garantindo sua prosperidade. Com isso enriquecem seus cofres para sustentar seus projetos. Outros, de maneira mais técnica e atrativa aos mais racionais, ensinam em programas de TV como administrar seu dinheiro para ter uma vida melhor e mais confortável e, este conforto esá sempre aliado equivocadamente ao luxo e a ostentação.

A nossa cultura consumista e gastronômica, acaba fazendo uma família a não se saciar com alimentos simples, com roupas simples e com mobílias modestas. O mercado da arquitetura, do design e da decoração, sugere modelos que agradam aos olhos, mas que, de fato, não fariam falta diante do que é necessário no dia a dia.

Hoje, mesmo diante dos apelos para que vivamos de maneira arregalada, por vezes até desperdiçando algo que seria útil aos menos favorecidos, podemos sobreviver com menos do que vivemos. Podemos comer menos do que comemos. Trabalhar menos do que trabalhamos. Aquele que consegue viver com simplicidade, talvez já esteja encontrando aqui e agora a felicidade que muitos tentam de maneira ilusória, pois, parece que as conquistas que somos sugestionados a adquirir, tornam-se cada vez mais distantes, fazendo-nos viver de maneira insaciável. Olhar para as aves do céu e para os lírios do campo, pode ser a saída para uma vida mais tranquila capaz de levar-nos a encontrar a tal felicidade, que não está nas coisas, mas na disposição de espírito.



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

"EU QUERO DEUS, E ESTOU COM MEDO"



Da última vez que o vi, ele estava bêbado, como sempre. Eu passava em frente ao boteco em que ele conversava à porta com alguns amigos. Sempre que me via, não deixava de me chamar pelo nome, com voz grave e arranhada pelo cigarro. Ele me contava que também fora radialista e que era filho de um famoso empresário do Rio de Janeiro de uma rede do ramo de pneus, amortecedores e suspensão de veículos, mas saiu cedo de casa. Segundo ele, para não depender do pai.  

Há quem busque refúgio nos botecos. E no copo um amigo.

De mãos dadas com meu filho, parei para falar com ele por alguns minutos naquela tarde.  Ele estava ali, local onde frequentava todos os dias. Se alguém quisesse encontrá-lo, era no botequim que ele estava. Aliás, botequim parecia sua casa e os amigos de copo, seus familiares. Um jovem. Inteligente, pensador, que gostava da justiça, tinha talento para pintura com desenhos de traços exóticos incríveis e escultura.  Ele tinha muito respeito quando ouvia falar de Deus.

Foi naquele dia que eu voltei a dizer-lhe: - Você é de Deus. Deus quer mudar a sua vida. Ele riu. Não foi um riso de sarcasmo. Percebi que era um riso como que ser de Deus fosse para ele algo bom para ser verdade, quando prosseguiu: -Eu? de Deus? eu sou um cachaceiro, Elias. Um cachaceiro – enfatizou, como que decretando o seu presente como o futuro.

Meu filho, prestando atenção, interveio e reafirmou ao jovem: -Se todo mundo é de Deus, você também é de Deus. Não é papai? -Sim, filho,  concordei. O rapaz que fitava os olhos em mim quando eu falava, abaixou o olhar para o meu menino de 5 anos, e, emocionado, silenciou-se.


Foi a última vez que vi o Fábio. Soube pelos meus familiares no Rio de Janeiro que este jovem morreu recentemente. Uma morte triste, em casa, sozinho. Alcoolizado. Ele não morava com familiares e pouco falava de família. Era um solitário que buscava nos bares, conversar, contar suas histórias... os sóbrios que passavam pelo local, mesmo conhecendo aquele rapaz, dificilmente paravam para falar com ele. As vezes, tinha umas conversas "chatas", mas quem o percebia via nele uma alma pedindo por socorro.

Soube  que dias antes de morrer, ele começou a frequentar a igreja. Lá chegava bêbado, mas nunca foi impedido, mesmo "perturbando" em algum momento a pregação do pastor, que com muito carinho, descia do púlpito para acalmá-lo com a mão em seu  ombro, que o deixava em silêncio por alguns momentos.

Fábio estava indo à igreja. Parecia buscar socorro e dizia que queria Deus, mas estava com medo. Dizia que estava com muito medo.  

Foi nesse intervalo em que frequentava a igreja que ele morreu. Uma coisa é confortante para nós. Deus é o justo juiz, porque conhece o coração humano, muito além do nosso olhar.

Hoje, dei a notícia para o meu filho. – Lembra  daquele  moço que nós conversamos com ele em que você disse que ele era de Deus, quando fomos lá na casa da vovó? – Lembro, respondeu meu filho, dizendo: -Jesus não vai ressuscitar os mortos, pai? – Sim, filho, respondi. E meu filho diz sorrindo - Se ele não sabia disso, ele vai ter uma surpresa quando Jesus voltar. Acho que ele vai gostar.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

QUESTÃO DE HONRA

Quando a fé for posta na balança
o que vai prevalecer?
Meu pai conheceu a mensagem do sábado - como dia de descanso, separado por Deus na criação do mundo - quando ele tinha por volta de 30 anos de idade. Meus irmãos mais velhos, hoje, cinquentões, eram crianças. Ao crer na mensagem, deu uma reviravolta em sua vida e na vida da família. Era assim que fazia. Firme, decidido nos propósitos que assumia, mesmo que isso lhe custasse o conforto. Ele era comerciante e, em seu estabelecimento, servia bebidas alcoólicas, cigarro, etc. Minha mãe trabalhava junto com ele, fritando aperitivos, salgadinhos que eram servidos aos fregueses. Meu pai decidiu fechar o comércio, para praticar sua fé sem interferências que o levassem a titubear entre dois pensamentos. Assim ele cria.

A "porta" do ganha pão da família foi fechada por sua própria decisão. Assim, saiu a procurar emprego que o liberasse no sábado. Encontrou vaga numa fábrica de balanças no fim dos anos 1960. Quando falou com o responsável pela contratação que precisava folgar aos sábados, mesmo tendo que dobrar outro dia, assim o faria, pois havia entendido que o Sábado era um dia santificado por Deus e nele todo o trabalho de seu interesse deveria deixar de lado. Mas o patrão não o liberou no sábado. Como precisava, começou a trabalhar, mesmo assim, e no sábado seguinte ele faltou ao trabalho pensando argumentar depois com mais ênfase. Mas foi uma tentativa em vão. O patrão o demitiu. Ficou desempregado, com filhos pequenos para sustentar. Saiu a procura de outros empregos, mas sem sucesso.

O fiel da balança de Deus revela sua justiça.
Certa tarde, ao estar em casa, depois de mais um dia de procura, um carro buzinou em frente ao portão. Ele foi atender. Um homem bem trajado desceu chamando por seu nome. Era difícil um carro parar em frente a uma casa no bairro onde morava. Um lugar simples, pouco desenvolvido, contrastando com o luxuoso veículo de cor preta de para-choques e calotas protuberantes cromadas e pneus com faixa branca em toda circunferência. O pessoal chamava o carro de "besouro" por causa da cor e do formato que fazia lembrar o inseto.

-Seu Teixeira, - gritou o homem em frente ao portão. -Eu vim buscá-lo para voltar para a fábrica. Fique tranquilio que vou liberar o senhor no sábado. O senhor quer voltar?

Meu pai o recebeu, convidando-o a entrar. Jamais esperava que o emprego fosse atrás dele, na porta de casa.

E seu ex-patrão humildemente revelou:

-Olha, vou lhe dizer uma coisa. Eu vim aqui lhe oferecer trabalho depois que algo estranho começou a acontecer na firma. Depois de sua demissão, a empresa vinha caindo o movimento. E eu senti que você só queria poder obedecer ao seu Deus. Senti que foi por isso que as coisas começaram a dar errado por lá. Você pode voltar.

Meu pai recebeu aquela notícia e convite como uma provisão divina, devido sua necessidade e por ter orado muito para que as portas lhe fossem abertas.

Incrivelmente, os negócios da fábrica de balanças São Miguel no Rio de Janeiro, voltaram a normalizar-se.
 
 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

DEPENDÊNCIA É VIDA



Independência, perece ter se tornado palavra de ordem. Depender, ganhou uma conotação de fraqueza, instabilidade, insuficiência. Depender, parece necessitar de favor a todo instante. Enquanto que independência torna-se uma condição favorável de força, autonomia nas decisões.
 
É assim que aprendemos: "Dependência é para os fracos". A palavra dependência causa medo, pavor, espanto.

Hoje, pais comemoram ao dizer que seu filho é independente. A criança é colocada em contato com o mundo exterior ainda em idade em que não teve seu caráter formado, e torna-se vulnerável à costumes, linguagem e característica diferente do praticado em casa. Mas, para os pais, a independência do filho, significa comer sozinho, trocar de roupa sem seu auxílio, tomar banho sem ajuda da mãe. Ou os jovens que saem de casa para cuidar da própria vida, sem a interferência da família. Mas, independência se resume a isso?

O idoso teme prostrar-se numa cama e tornar-se dependente para conseguir fazer o que uma criança independente faz, já sem a ajuda dos pais.
Oportunidade de ajudarmos e sermos ajudados.

A mulher busca independência social e financeira, para não ficar sob o jugo do marido.
Mas "depender" apesar de ter se tornado algo indesejável e rejeitado, talvez não seja, em sua essência algo tão ruim assim.

A dependência quebra o nosso orgulho. É como uma espécie de limpeza interior de tudo o que nos afasta do bem e das pessoas.

Que mal há na dependência? Dependência é um compartilhar. É o maior princípio que leva pessoas a desenvolverem o espírito de colaboração. Por outro lado, leva cada indivíduo reconhecer-se diante da necessidade.

Mas, o maior problema não é depender. É de quê, e de quem depender. Você depende de quem te ama, ou de quem quer livrar-se de você? Depende de quem deseja o seu melhor, ou daqueles que torcem para o seu fracasso e lançar-lhe em rosto tudo aquilo que fez por você?
Depende de algo que pode levar-lhe à destruição?
A dependência oportuniza aproximação.

Pelo simples fato de não vivermos isoladamente, somos dependentes em comum. Aceitarmos a dependência, é tornarmo-nos mais humildes, mais leves; menos arrogantes e auto-suficientes. 

A cultura da "independência" mal canalizada, tem levado seres humanos a adotarem comportamento frio e distante na sociedade, começando em casa: pais com filhos, maridos e esposas.

Depender é compartilhar. É entender que sozinho o fardo é mais pesado. É adotar a filosofia de que devemos ajudar a levar as cargas uns dos outros. 

No sentido espiritual, Jesus diz: "sem mim, nada podeis fazer". Talvez não estamos prontos para ouvir isso, no momento em que nos sentimos auto-suficientes. Imagine você ouvir isso de uma pessoa? Você pode interpretar como se fosse uma "provocação". 

Mas quem disse isso nos ama, e quer sempre o nosso bem. Sem mim nada podeis fazer, demonstra disposição e responsabilidade. Acima de tudo, demonstra amor e respeito. Jesus não vai fazer nada por você, se você não sentir dependência dEle.
Se finalmente, independência nos leva à frieza, distância e fracasso, a dependência torna-nos aquecidos, próximos e vitoriosos.
Se você prestar atenção, todos os dependentes de Deus, tornam-se vitoriosos. Que aprendamos a depender de Deus. Dependência é vida.