sábado, 9 de março de 2013

A IGREJA ENTRE QUATRO PAREDES



Com o passar do tempo é quase comum a perda de identidade e de referência quando o princípio que estabeleceu determinada instituição é trocado por conveniências momentâneas com o objetivo de firmar-se diante da nova geração.



A crise se estabelece quando os discursos mudam, enquanto os conservadores procuram, de algum modo, sobreviver à essa investida, mesmo com a mesma proposta original. A crise aumenta, quando queremos manter o mesmo princípio mas relativizando-o ao coxear entre dois pensamentos com o objetivo de não perder espaço. A crise é maior ainda quando não somos alienados e fazemos algo diferente apenas para "dar o que se pede". Para muitos é assim que funciona. Isso rege até o mundo comercial e político: "dar o que o povo quer". 
Sem identidade perdemos a referência



A Igreja e sua liderança oficial tem mostrado sua preocupação em relação ao secularismo e comportamentos diferentes de seus membros, dentro e fora da igreja. A intenção de muitos de tornar a igreja mais popular, o que de certo modo é aceitável, utilizando-se de seus meios de comunicação oficiais, ligados diretamente à administração geral, adotando programação mais aberta, inclusive na linguagem e proposta mais “secular” soa como um contraste ao que a organização orienta.Há uma nova geração ganhando espaço merecido, recebendo, inclusive, lugar de destaque ocupando cargos de liderança, mas sem o devido preparo para assumir o posto. Suas referências são secularizadas, desde o que se produz na televisão às vinhetas de rádio. Os programas que assistem, as músicas que ouvem, até mesmo os trejeitos de comunicadores servem como referência para estes, cuja proposta é estarem "antenados" com o que ocorre do lado de fora, sem uma reflexão criativa sobre a necessidade de realizar algo diferenciado, alternativo e de bom gosto.

Falta um padrão estabelecido ou uma diretriz a ser seguida nesse ponto específico, e há certa liberdade de cada ocupante desses cargos para fazer o que pensam ser melhor, de acordo com o que acham. Por outro lado, há uma liderança sem noção exata do conhecimento da responsabilidade que assume.

Os mais velhos, inclusive mais experientes nessas funções que poderiam ser aproveitados como conselheiros e orientadores desses jovens parecem ter se tornado "empecilho" para novos projetos.  Outros morrem e o que precisa ser inculcado na mente dos jovens é sepultado pelo tempo. 



Na verdade, um meio de comunicação ligado diretamente a uma instituição religiosa, passa a ser vista como referência dessa organização. É a cara da igreja diante do público. Há, por exemplo, uma geração dentro da igreja acostumada com músicas congregacionais, menos ritmada e hinos clássicos, e  uma  outra geração que não teve essa referência musical, o que coloca em rota de colisão esses interesses. Por outro lado, o rádio que é o meio de comunicação de massa da igreja e, com o argumento de alcançar outros públicos, adota em sua programação uma variedade de ritmos que chocam os mais tradicionais. 

No passado, a pregação era divulgada em meios seculares, ou seja, a igreja apresentava programas em emissoras de  rádio em que a população em geral ouvia. Esse era um aspecto positivo para alcançar públicos de fora, sem usar artifícios para alcançá-los. O público ouvia determinada emissora que em determinado horário veiculava o programa. Era diferente do que se pratica hoje num meio próprio e para alcançar os de fora se faz necessário adotar padrões secularizados. Isso acaba comprometendo como um todo a proposta da organização, que por um objetivo específico, acaba generalizando as ações, assumindo a responsabilidade institucional. Em determinado ponto é difícil manter um só discurso, sem apresentar suas razões nem sempre aceitas como um método coerente.  O mesmo ocorreu com a televisão. É comum assistirmos líderes religiosos investirem em programas de TV popular em canal aberto para alcançar outros públicos, não apenas o público de sua igreja. O resultado tem sido positivo, mais do que se tivessem uma televisão própria e fazer o público procurá-los para assistir a seus programas. Aliás, esse formato não deu certo com a Rede Record da Igreja Universal do Reino de Deus, que precisou "secularizar" sua programação para ter audiência.  

Mas há outras igrejas que fazem altos investimentos para servir apenas aos de "casa", numa espécie de programa em "circuito fechado". O resultado disso para evangelizar os descrentes é bem pequeno. Acabam criando um "clube" de associados, ausente e distante daqueles que precisam ouvir a mensagem do evangelho. Compartilham sua mensagem entre si, sem confrontos, na zona de conforto entre "quatro paredes"


Que visão temos de nós mesmos?




As orientações aos membros da igreja não são claras sobre esse tema e isso é preocupante. Preocupante pois diferentemente de tempos passados, a abertura de informações e o desenvolvimento do pensamento analítico tem sido desenvolvido por muitos que com muita facilidade conseguem observar as contradições entre o discurso e a prática.  Na verdade, os fiéis não tem o conhecimento de como os meios de comunicação precisam ser utilizados como instrumento de evangelização e como suporte para levar outras pessoas a conhecer a mensagem que prega, mas sabe discernir com base na teoria aprendida. Por outro lado, as “estratégias“ precisam ser revistas.

Não é de se estranhar o que ocorre hoje. No passado também foi um desafio grande "guiar" um povo, assim como foi com Arão e Moisés. Ao subir no monte para receber as tábuas da lei de Deus, o povo pensou ter ficado sem o "líder", e pediu um outro deus. O povo exigia que Arão  construisse um bezerro de ouro para atender aquela multidão. E mesmo tendo o conhecimento de Deus e experimentado todos os milagres e maravilhas que o Senhor operou, Arão construiu a imagem como o povo havia lhe pedido. 



Há um equívoco quando pensamos que precisamos parecer  ou  fazer  o que todos fazem ou querem que façamos para sermos aceitos, porque isso não soa sincero. Quando há uma tentativa para isso, realizamos de maneira “desengonçada”. O brilho dos olhos não diz o mesmo. Queremos fazer de tudo e usar todos os artifícios para conquistar pessoas, mas muitos que estão na liderança não aprenderam a lidar com pessoas e com suas diferenças e, de certo modo, toda comunidade parece ter aprendido assim. As vezes procuramos fugir de situações que consideramos "constrangedoras". Deixamos de nos aproximar daqueles que fogem aos "padrões" que estabelecemos como ideal. Aprendemos a ser elitistas e selecionar nossos alvos. Mudar essa realidade é possível, mas é preciso ter paciência no enfrentamento de crises internas.



Vivemos num mundo de diversidades. Ser diferente também tem seu lugar, não no sentido de discriminar os outros ou tentar  fazer-nos parecer melhor que os demais, mas assumir de fato o que acreditamos seja por que meio for sem reivindicarmos para nós o posto de "guardiães" da verdade. É com simplicidade nas ações. A pregação do evangelho não precisa de sofisticação, pois, o evangelho é simples por natureza. O que existe é o esfriamento da disposição de muitos em manter propostas que antes eram defendidas. Até mesmo os grandes pensadores e formadores de opinião não querem se indispor com a maioria, até por uma questão óbvia de sobrevivência e aceitação, mas se esses adotassem posições mais pontuais, poderiam fazer com que os outros entendam e respeitem as diversidades. 

O "Reavivamento e Reforma" precisa levar em conta essa questão, pois pode não ocorrer da maneira como “desenhamos” e planejamos segundo o que pensamos ser a melhor saída, com os nossos esforços pessoais, mas é preciso, sim, dar ouvidos à voz do Espírito Santo para que nos guie. Enquanto buscarmos o controle de tudo em nossa vida, ou em nossa esfera de atuação assumindo as atribuições de nosso cargo, estaremos agindo segundo interesses fechados. 

O derramamento do Espírito Santo certamente revigorará a muitos, o que sob outros olhares poderá parecer algo “escandaloso”, porque aprendemos a limitar o poder de Deus sobre nós, segundo os nossos conceitos sobre a verdade que liberta.  




terça-feira, 29 de janeiro de 2013

COMUNICAÇÃO E O TESTEMUNHO DA FÉ



ENTRE O LÍCITO E O CONTRADITÓRIO
Há emissoras religiosas, por exemplo, gastando tempo com discussão sobre campeonato de futebol, o que outras emissoras o fazem com muita competência, com equipe formada e treinada para discutir esse assunto. Outras, procuram seguir linha de programação idêntica a rádios populares, que ao invés de tornarem-se um diferencial, uma alternativa, engrossam o coro dos que fazem rádio apenas com fins comerciais de objetivos popularescos, fugindo à sua proposta original.Esta é uma maneira mais fácil, mais prática de fazer programação, pois na maioria dos casos, são pautas de terceiros, sem a necessidade de uma equipe de produtores pensadores que se afinem com a filosofia confessional. Suas referências são as de fora.  Assim comprometem sua identidade e consequentemente depõem contra sua própria mensagem. Isso ultrapassa a linha do espaço ou de condições técnicas e recursos operacionais.
Não basta comunicar, mas o que comunicar.


Toda e qualquer mensagem que se contrapõe à filosofia que a emissora confessional  defende, torna-se contraditória. Exemplos claros são programas de auto ajuda com linguagem menos proselitista para alcançar um público diferenciado. É preciso muita atenção nos textos prontos, em seus autores e o que querem passar. O jornalista deve verificar com visão crítica os detalhes do texto e identificar seu propósito. Copiar e colar apenas, é um grande risco e pode comprometer a credibilidade editorial.

É possível, por exemplo, que em alguma mensagem para despertar a nossa atenção para a maneira como nos relacionamos, citar o “porco espinho que  aprendeu  com o tempo a segurar  seu espinho sobre a pele, a ponto de não ser expelido a atingir seus irmãos. Esse “aprendizado” do porco espinho é um pensamento evolucionista. Se a nossa visão e defesa é da teoria criacionista, caímos em contradição. Os evolucionistas crêem que esse animal tenha garantido sua manutenção exatamente por esse controle.

São mensagens com exemplos importantes, quando o objetivo é aplicar ao nosso comportamento, sugerindo-nos maior controle sobre as nossas emoções que poderiam ferir aos outros. Sob o ponto de vista social é uma mensagem forte, necessária e convincente, porém, sua “fonte” destoa da linha confessional defendida. Há muitos outros temas de importância social, cultural e  comportamental que os meios de comunicação devem abordar. Contudo, é preciso definir a maneira de  abordagem. Um mesmo tema pode ser “explorado” de várias maneiras. Tratando-se de emissora de proposta cristã, suas abordagens não devem negar suas propostas, dando ênfase nos pontos de maior importância de seu editorial. 

Um exemplo são fatos que não passam despercebidos, como a morte de um artista famoso, um astro da música pop ou um líder religioso renomado. Notícias como essa  num veículo cristão não são necessárias, mas se forem veiculadas, devem ser feitas de maneira objetiva e discreta, apresentando um viés diferenciado, sem detalhes que façam promoção dessa “figura popular”.  
Michael Jackson  morreu de overdose
de medicamento analgésico. A causa
da morte é sugestiva para uma abordagem
mais ampla sobre os perigos que as drogas
lícitas também oferecem. 


Se um artista morre de overdose de medicamentos, ou por uso excessivo substâncias tóxicas, a abordagem merece alerta sobre o mau uso de medicamentos controlados. Outro viés para esse fato, é fomentar uma discussão com especialistas, por exemplo, analisando o que pode levar alguém que aparentemente tem fama e dinheiro a um fim tão trágico. Nesse caso, as supostas causas da morte, deveria ser o ponto da notícia mais importante para ser explorado, não a morte do “artista” em si.  Há emissoras religiosas, por exemplo, gastando tempo com discussão sobre campeonato de futebol, o que outras emissoras o fazem com muita competência, com equipe formada e treinada para discutir esse assunto. Outras, procuram seguir linha de programação idêntica a rádios populares, que ao invés de tornarem-se um diferencial, uma alternativa, engrossam o coro dos que fazem rádio apenas com fins comerciais de objetivos popularescos, fugindo à sua proposta original. É importante lembrar que emissoras confessionais, acabam se transformando em referência da denominação religiosa que representa. Desde a plástica ao conteúdo, a linguagem utilizada, o cenário apresentado, tudo deve transmitir de maneira clara sua mensagem, que não dê sentido confuso em relação à sua crença. Essas emissoras não deveriam evoluir como algo maior que a denominação que representa, mas repercutir sua identidade em todos os aspectos. 
Comunicação é sempre propositiva em seu aspecto editorial
Não é inteligente sob o ponto de vista confessional, característico de emissoras de representam uma igreja, gastar tempo com temas explorando o mesmo enfoque que outras emissoras exploram. Tudo precisa ser transmitido depois de pensado, com sua própria linguagem, com sua própria linha editorial, sem comprometer a notícia que dá suporte para outras discussões ou sugestões. 



Quando o caso é de violência infanto-juvenil, não deveria ser explorado apenas como crime e a defesa acalorada de maior punição para os menores infratores, ou a diminuição da maioridade penal. Esta é a defesa natural de todos os meios de comunicação, que se atém a relatar, a retratar o acontecimento, sem uma visão analítica sobre causas, circunstâncias e sugestão de mudança. O ponto mais importante seria discutir a estrutura familiar e social moderna, na qual esses jovens estão inseridos; seu estilo de vida, as perspectivas sócio educativas, etc.  
 O meios de comunicação explorados por instituições religiosas deveriam, em sua essência, ser uma voz alternativa aos conceitos superficiais da crítica pela crítica, ou da reprodução do pensamento coletivo; não deveria informar o que todo mundo quer ouvir; fazer o que todos esperam, falar o que agrada a todos, ou discutir assunto da “moda”, simplesmente para se popularizar ou mostrar-se afinado ou “antenado” nesses acontecimentos sem nenhum outro objetivo. Na  prática, a repercussão de interesses popularescos não exerceria papel sugestivo para a transformação da mentalidade social de maneira justa, ou propor um outro caminho.  
Notícias relacionadas ao carnaval, por exemplo, podem ser destacadas de maneira a não promover a festa, mas suas co-relações com a violência, o abuso de bebidas alcoólicas e outras drogas; o turismo sexual nessa época do ano; doenças sexualmente transmissíveis  e acidentes, isso, claro, respaldado em dados estatísticos ou factuais. Nesse caso, há que se fazer pesquisas para embasar a abordagem. Em linhas gerais, a mídia prefere não divulgar pontos negativos da festa, exatamente por sua linha editorial que visa promover esse evento que, por outro lado, promove o comércio, as vendas, o turismo, consideravelmente viável para a sustentação comercial das emissoras de TV, rádio, revistas, etc, pelos contratos publicitários. Em vários outros casos, até mesmo notícias políticas ou de mercado, é preciso observar o que é fato e o que é publicidade. É muito comum lermos notícias que mais parecem promoção e propaganda. A análise crítica e a busca detalhada de alguma informação nesse nível, pode resultar num texto mais claro sob o ponto de vista do factual com relevância informativa.

Se a mídia de um modo geral repercute notícias que promovam alguma bebida alcoólica como benéfica ao coração, por exemplo, é preciso aprofundar a discussão com médicos e especialistas que tenham opiniões diferentes sobre o tema; se assim não for, esse tipo de notícia pode ser descartado dos noticiários da emissora. Outra contradição seria promover eventos de outros grupos que filosoficamente não compactuam da mesma crença, ou divulgar  produtos duvidosos sob os pontos de vista saudável, ético ou religioso ou que se chocam com os  princípios de fé defendidos pela linha editorial da emissora. Em linhas gerais é necessário que o editor jornalista observe detalhes que porventura venham trair a boa fé. Dessa percepção, depende todo o trabalho executado para que seja convergente sob todos os aspectos.  

Mais que ser jornalista ou comunicador, é importante que esses profissionais que prestam serviço a um veículo de cunho religioso tenha essa percepção e conhecimento sobre os princípios de fé, defendidos por sua organização. Podemos estar fazendo até coisas lícitas, sob o ponto de vista social, mas contraditório em relação ao que se crê.


 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

MISSIONÁRIA DO AEROPORTO DIZ QUE DEUS TEM UM POVO



“Os salvos em Cristo entenderão” – respondeu. “Jesus chorou por um povo no passado e eu fui revelada que Jesus chorou outra vez por um povo que se distanciou de suas verdades e que precisa voltar a praticar as boas obras. Santidade ao Senhor, é o que precisamos".  

Missionária do aeroporto como é chamada D.Isaura

Ela tem 79 anos. Disse que foi chamada por Deus para pregar o evangelho quando tinha quase 20 anos de idade. Com enxoval comprado para casar-se, decidiu viver para Deus.  Do sertão de Pernambuco, Isaura Lima passou os últimos 20 anos pregando em aeroportos brasileiros. Antes, passou  40 anos pregando o evangelho em vários outros lugares. Ela não se casou, não teve filhos; o que sabe é que tem sobrinhos em São Paulo,  mas não sabe ao certo em que cidade do Estado. Acredita que ainda tem uma irmã viva.

No aeroporto de Londrina onde fui esperar minha esposa e filho que voltavam do Rio de Janeiro, deparei-me com seus cartazes, afixados nas cadeiras e no carrinho utilizado para carregar as malas. Parei diante dos cartazes e comecei a ler vários versos bíblicos escritos à mão e com mensagens de advertência.E é ali mesmo, no aeroporto que passa a noite, dormindo nas cadeiras ao lado de sua Bíblia e de suas malas. A missionária passa 20 dias em cada aeroporto. Alimenta-se em restaurantes, os mais baratos que há próximos ao local. As vezes, lancha nos quiosques. Aposentada, ela disse que nunca lhe faltou nada e que Deus sempre envia pessoas para dar o que ele precisa.

Percebi que ela observava em silêncio o meu movimento, quando me dirigi a ela fazendo pergunta sobre o que li.

Ela me disse: “Eu  sou surda. Tudo o que quiser me perguntar, escreva neste papel” – trazendo-me imediatamente uma apostila para servir de base para eu escrever.

A "missionária do aeroporto" afirmou ter sido membro de igreja por 31 anos - apesar de ter me dito o nome da igreja quando lhe perguntei, ela pediu para eu não revelar o nome da Igreja nesta postagem, pois isso não ajudaria em nada mas revelou que começou a sofrer ‘perseguição’ dentro de sua própria igreja, ao tentar pregar as advertências que dizia receber pela revelação bíblica em contraste com suas práticas que o povo estava esquecendo. “Mas eu não quero falar de igreja; não falo de religião, não me preocupo com isso. Meu trabalho é alertar as pessoas” – disse.

“Poucos  querem a verdade. Deus me mostrou que meu trabalho é o de advertir os seus escolhidos, para que eles não troquem a salvação pelas coisas do mundo” – disse ela, sendo taxativa na afirmação: “O mundo não quer a verdade de Deus”.  



Perguntei a ela sobre religião, igreja, verdades da Bíblia, o que ela crê e o que ela prega e se eu podia publicar o que me dissesse.  

“Você faz muitas perguntas” – disse ela, bem humorada. “Vamos por partes” – emendou, já desconfiada que eu era de alguma igreja. "Jornalistas comuns não fazem perguntas do tipo que você faz".

Com um português impecável e, ao mesmo tempo, consisa nas palavras ela revelou que no início do chamado pensava em algo muito grande. Queria pregar no mundo inteiro por diversos meios, mas disse que Deus lhe mostrou outro caminho. “Eu queria um lugar, uma casa e condições materiais, mas Deus me revelou que o que Ele tem para mim não está aqui na terra, e que aqui eu teria que sofrer por sua causa. Eu já sofri muito, mas hoje eu já não sofro mais. Para mim é um alívio”.

Isaura lê com facilidade sem auxílio de óculos


A senhora fala sobre os salvos. Há alguém salvo? Como saber se uma pessoa é salva? – perguntei.



“Não me preocupo se estou salva ou não, nem se este ou aquele é salvo. Essa não deve ser a nossa preocupação nem o nosso julgamento. A nossa parte é fazer a vontade de Deus, e muitos preferem alimentar o pecado no coração, mesmo os que se acham santos. O mundo não quer nada com Deus e muitas igrejas vão pelo mesmo caminho”- respondeu.

Ela revelou um assunto extra-bíblico, afirmando que recebeu uma mensagem, dizendo que em 1985 concluiu-se o selamento e foi fechada a oportunidade para a salvação. "Os perdidos já estão perdidos. Eles não se voltarão para Deus". Ela disse ainda: "Minha mensagem é para aqueles que um dia ouviram a voz de Deus, se mantenham firmes em comunhão com Ele.

A senhora acredita que existe uma igreja verdadeira? – perguntei.

“Deus tem  um  povo. Primeiro o povo de Israel que o rejeitou. Depois foi instituída uma igreja que se prostituiu. Depois Deus levantou uma outra Igreja para restaurar a verdade, mas esta também já se afastou de suas verdades” – respondeu ela.



Perguntei a ela a  que igrejas se referia:



“Não quero falar sobre isso. Não quero criar polêmica religiosa. Já entrei em muita polêmica no passado, mas entendi que polêmica por causa de religião não ajuda. Os  salvos em Cristo serão revelados” – respondeu, e me fez um alerta: “Muito cuidado com o que você vai escrever sobre isso. Cuidado com a sua salvação. Não faça nada para trazer escândalo aos que vão ler o que estou lhe dizendo”.



Mas, de que igreja a senhora é?



“Sou da Assembleia celestial. Tudo o que faço é na presença de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo e seus anjos. Meu compromisso não é com igrejas, é com Deus. Hoje estou liberta. Não sou mais perseguida por pastores nem por igrejas” – enfatizou.



Mas não temos que congregar numa igreja?

“O sistema religioso está no fundo do abismo; as igrejas só pensam em dinheiro e posição; há muita vaidade e pecado escondido. Deus tem um povo. E este povo está espalhado por todo o mundo. Estes são os selados. As igrejas hoje tem medo de falar a verdade que precisa ser dita com medo de o povo ir embora" – afirmou, citando João 10:16; I João 2:6.

A senhora fala em resgatar verdades. Que verdades?

“Seguir o bom Pastor com ‘P’ maiúsculo. O pastor Jesus. Ele veio nos proteger da falsidade farisaica que até hoje predomina; e há ovelhas que pertencerão ao seu rebanho” – enfatizou, reforçando: “Andar como Jesus andou é a maior doutrina”.



Ela ainda disse que é preciso deixar o orgulho, a vaidade e tudo que nos afasta de Deus. “Deixar as coisas do mundo” – afirmou.

Mas isso não deixa as pessoas dispersas, sem rumo? Não há uma igreja?

“Os salvos em Cristo entenderão” – respondeu. “Jesus chorou por um povo no passado e eu fui revelada que Jesus chorou outra vez por um povo que se distanciou de suas verdades e que precisa voltar a praticar as boas obras. Santidade ao Senhor, é o que precisamos". 



Aqui no aeroporto, as pessoas param para lhe ouvir?


“Tem gente que para um pouco para ler os cartazes, curiosas. Outras me fazem perguntas, daí  eu respondo, faço oração e elas vão embora. Há os que me veem como louca e não dão atenção” – encerrou.

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Refleti depois da conversa que tive com essa senhora, e percebi que ela só tem essa liberdade porque trabalha de maneira independente, fazendo o que diz acreditar sem representar ou estar em nome, ou carregar sobre si  a nomenclatura de alguma agremiação religiosa. Penso que se ela tivesse instituído uma igreja, seu discurso poderia parecer tendencioso para levar pessoas à sua denominação, o que naturalmente ocorre. Senti nela uma postura isenta de interesses denominacionais, pois ela rechaçou qualquer ideia e foi até cautelosa em não entrar no mérito da discussão sobre esta ou aquela igreja.

Elias Teixeira