quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

VERIFIQUE OS FREIOS


Lembro-me bem de uma história contada pela professora de comunicação e expressão quando cursava o ginasial, do Pedro Malazarte.  Era a de  um tal de Américo Pisca-Pisca. Ele tinha o hábito de pôr defeito em tudo que estava à sua volta e criticava até a natureza. - Vejam só, dizia ele, apontando para uma árvore. - Veja esse pé de jabuticaba enorme, sustentando frutas tão pequenas. Ao apontar para a aboboreira disse: - Veja que frutos tão grandes esparramados pelo chão... Se eu pudesse reconstruir a natureza, eu faria o contrário.
A estrada da vida também é cheia de sinais
e orientações

É fato que muitos desejam sair da mesmice, do que costumam chamar de  rotina e buscam por algo diferente, mas nos esquecemos que a rotina nos dá experiência.  Certo dia eu estava zapeando os canais da televisão, procurando alguma coisa boa para assistir, algo raro ultimamente,  quando me deparei com uma cena de um desenho animado. Achei curioso o que estava passando e parei para assistir  a  cena  do personagem principal que havia sido colocado na máquina do tempo. Ao chegar no passado, esse personagem do futuro viu um homem pedalando uma bicicleta com muita dificuldade, com  “rodas” quadradas de madeira. Tentando ajudar, com seu próprio bico, começou a arredondar as duas “rodas” quadradas. Ao terminar, a bicicleta ganhou tanta velocidade que o ciclista perdeu o controle, e esborrachou-se ao bater contra uma rocha, deixando-o ferido com estrelinhas circulando ao redor da cabeça. Minha esposa, que estava junto comigo assistindo àquela cena disse uma frase que me levou a pensar: “Ele conseguiu inventar a roda, mas esqueceu dos freios”.

Muitas vezes, queremos fazer coisas diferentes e estar à frente do nosso tempo, mas queimando etapas que deveriam ser cumpridas. É lá na frente que vamos deparar com as dificuldades no lidar com as novas realidades. O preparo deve estar de acordo com a realidade presente.  Esse aprendizado é construído aos poucos, com as pequenas atitudes, cumprindo cada etapa como deve ser cumprida. Em nossa busca por algo novo, extrapolamos querendo chamar atenção para as nossas propostas, sem considerar os desafios a enfrentar.  A estrada da vida é cheia de desafios; de altos e baixos; margeada por rochas e abismos. Mas em todos os trechos, os avisos estão presentes. As vezes, na tentativa de buscar superação, nos entregamos demasiadamente no fim, sem pensar nos meios. 
Mesmo diante dos "atoleiros" da vida, insistimos em
prosseguir para cumprir uma obrigação
 sem o preparo necessário.
 

Fazer diferente só para sair da rotina e não ser igual aos outros, sem um propósito sólido e real, pode acabar da maneira como não gostaríamos. Toda construção segura deve ser feita sobre uma base, dentro de seu tempo e espaço. É preciso responsabilidade nas ações.   São necessários cálculos sobre os riscos, e tudo o que for feito, seja feito sobre bases sólidas, observando as experiências à nossa volta. A roda já foi inventada; precisamos apenas faze-la rodar, mas não esquecer da manutenção dos   freios.

Esse pode ser o maior desafio do ser humano. A ação do movimento é natural, porém, refrear, parar, é uma questão de decisão. E em muitos casos, é uma necessidade.  Questão de vida. Quando estamos conscientes das nossas ações, paramos quando queremos. Mas parar quando é necessário, pode ser sinal que "passamos do ponto". Quando percebemos que precisamos frear, no momento em que já estamos arriscando a vida, pode sinalizar, também, que tentamos acertar, porém, alguma coisa saiu do nosso controle. E, as vezes, conseguimos reverter a situação, adquirindo aprendizado pela experiência. 

Você tem o direito de tentar novas experiências, fazer algo novo e diferente. Mas é necessário que você tenha noção de seus limites e não tentar avançar, sem ter a certeza de estar preparado para enfrentar os desafios. 
É sempre assustador verificar os freios e perceber
que não funcionam

Aprenda que tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém, como disse o Apóstolo Paulo.  Há questões morais e espirituais que precisam estar bem definidas para que identifiquemos o sinal vermelho, diante de tantas luzes e cores que se misturam. 

Afinal, sábio é quem constrói sua casa sobre a rocha. No momento do vendaval ela continua firme, inabalável. Sábio é aquele que antes de descer a ladeira, verifica os freios. Aquele que não se entrega cegamente às emoções a ponto de levá-lo a arrepender-se de suas consequências. Manter o controle do que está ao nosso alcance, é atitude previdente. É bem verdade que isso não é uma fórmula infalível, pois não podemos tratar as coisas da vida como um cálculo matemático, mas precisamos avaliar as probabilidades diante das escolhas que fazemos. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

ESPELHO, ESPELHO MEU...


Há muitos que sofrem ao parar diante do espelho e mergulhar em seu próprio interior, após analisar seus traços externos. Para alguns, a  vida parece sem cor, sem brilho, girando em torno de fantasias e imaginação e, isso, por alguns instantes, torna-se combustível para sobreviver, por alguns momentos, fora de sua realidade comum. É uma maneira pessoal de buscar um refúgio que venha diminuir os sentimentos que apertam o coração. A sensação de baixa auto-estima e de desajuste com o meio, se manifesta como sintoma desse vazio interior, cujo preenchimento não ocorrerá, sem que haja uma auto análise do que está causando essas sensações. Seria necessário um exercício no sentido contrário para que haja um equilíbrio consciente do que lhe ocorre, retomando o auto-controle.   Mas todo esse sentimento é fruto do ensino que  tivemos. No fundo, somos o que sempre fomos, desde que nascemos. Nossos sentimentos tem muito a ver com o que pensamos. Nossa não aceitação das condições que passamos a viver com o passar dos anos,  e o desvio do enfrentamento das mudanças que ocorrem do lado de fora, faz com que nos tornemos cada vez mais insatisfeitos. Nada será aceitável exteriormente, se não nos aceitarmos por dentro. Se há alguma coisa para ser mudada, precisa começar na transformação da mentalidade. Essa " transformação" nos leva, na verdade, a um olhar e pensamento original, de raiz. 


A aceitação é o primeiro passo para construirmos
um novo olhar sobre a nossa vida. 
Quem foi que disse que o que é bom precisa ser caro, e que o marido romântico é aquele que oferece flores à sua esposa? Quem foi que criou esse conceito? Quem criou o conceito de que devemos elogiar, antes de criticar? Quem criou o conceito de que precisamos sorrir sempre, para que as portas se abram e que o marketing pessoal é o termômetro para a  nossa avaliação? Quem foi que disse que as coisas que adquirimos é que nos tornam importantes, e que para conquistarmos os outros, temos que fazer sempre o que os outros esperam de nós? 

Quem foi que disse que não concordar  com determinados comportamentos ou escolhas dos outros é preconceito?

Quem foi que disse que para passear na pracinha com o filho precisa ter dinheiro para comprar-lhe um sorvete? Essas questões acabam criando bloqueios em nossa vida, e acabamos sendo escravos desses pensamentos, muito mais ainda, quando são criadas  regras que respaldem os costumes.  

Deixamos de encontrar prazer na simplicidade, afogando-nos no mar da sofisticação aparente, quebrando-nos na praia da ilusão, e paralisamos nossa busca nas areias da frustração.  

Vivemos em torno de sugestões, sem ao menos questionarmos se é assim mesmo que funciona, e se esses pensamentos tem razão em sua essência.  Esses conceitos passam a ter valor para nós, quando o aceitamos da maneira como são transmitidos, tornando-se naturalmente compartilhado pelo senso comum. É difícil viver na contramão do pensamento coletivo, sem pagarmos o preço da auto-exclusão. 

Para muitos, o que sustenta e dá motivação é o perseguir de um sonho, projetar-se em coisas externas e sugestões do ambiente onde vivem. Passamos a perseguir uma vida que consideramos melhor, por um conceito coletivo, e tornamo-nos cansados e esgotados, muitas vezes por não alcançar os padrões que nos impõem. Ao deparar-se diante de si mesmo, quantos percebem que os esforços não tem valido a pena e continuam a busca frenética e viciosa, em vez de aceitar a vida como ela é; buscar  o auto conhecimento e perceber seus dramas; encontrar o ponto em que esse “desequilíbrio” começa, para assim, entender como reparar essa brecha. A manifestação externa dos comportamentos e escolhas, ou estilo de vida que adotamos, bem como nossas concepções e sentimentos, tem muito a ver com a “construção” do nosso olhar a partir das exterioridades que penetram a alma e, afloram por meio das nossas ações.

Muitos preferem viver imaginando o ideal, sem se dar conta da realidade da própria vida. Debruçar-se sobre o ideal, transmite uma falsa sensação de realização.

Certa vez ouvi a uma entrevista feita pelo radialista Francisco Barbosa, da Super Rádio Tupi do Rio de Janeiro, que perguntou a uma psicóloga que não me lembro o nome, o porquê do alto índice de audiência dos realitye shows da televisão, mesmo recebendo inúmeras críticas por sua “futilidade”. “É que as pessoas tentam  esquecer de seus próprios problemas, buscando lá fora, e até mesmo na vida dos outros uma válvula de escape”  – respondeu ela.

As bancas estão cheias de revistas de fofocas; de dicas de como um artista mantém a forma; o  que comem, o que vestem, o que pensam. Há os que passam a  anular-se a si mesmos, deixando de rever seus próprios conceitos, até mesmo diminuindo-se, desconsiderando-se, levando a projetarem-se no outro. Passam a viver segundo os conceitos sugestionados por alguma figura famosa, bem sucedida na vida sob seus pontos de vista. E parece que isso, apenas isso satisfaz.
Ter o que dizer aos outros sobre assuntos
do momento, é sentir-se parte. 


O simples fato de saber sobre a vida de alguém e ter assunto para  discutir com amigos parece trazer algum alívio, uma sensação de satisfação, de aceitação, pois todos passam a compartilhar de pensamentos comuns, sentindo-se parte da história. Discutir um campeonato de futebol, por exemplo,  e falar sobre a vida alheia pode dar prazer e satisfação.  


No apagar dos holofotes, a vida é real. O espelho da alma não engana. É preciso assumir o nosso papel. É preciso rever o que está gerando influência a ponto de nos roubar o controle de nossa vida. É por isso que encarar a própria realidade torna muita gente  triste, abatida, sem motivação, pois se vêem pequenas demais diante do brilho dos outros,  em vez de buscar por meio desse sentimento um outro olhar, assumir novas atitudes. Viver o imaginário, as fantasias, pode trazer algum prazer  por  algum instante. Em vez de buscar reparar as brechas dos motivos desse sofrimento pela busca da auto afirmação,  muitos  escondem-se por trás de suas máscaras, mesmo que imaginárias,  que no fundo, só alimentam a dor e a angústia e arrastam seus problemas pela vida, ainda que tendo diante de si várias possibilidades de mudança.


Somos escravizados pelos padrões criados
por uma sociedade consumista. 

A vida sem Deus é como um vapor. É como a flor que desabrocha pela manhã e murcha à tarde. O sentido da vida não pode ser encontrado em coisas passageiras. Consulte o seu coração e reveja a sua vida; as decisões que você  precisa tomar para mudar o seu rumo.  

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O QUE ME IMPORTA O MEU PASSADO?


Ela ainda se recorda de quando era criança. Seu pai chegava em casa bêbado, gritando com sua mãe, vociferando palavrões. Quando surgiam as brigas e agressões físicas, ela se encolhia no cantinho do quarto, agarrada à sua boneca de pano que ganhou da avó, com tanta força, como se o brinquedo lhe trouxesse alguma segurança. Era sempre a mesma cena  quando o pai chegava. O medo e o terror entravam com ele porta adentro. Ela foi crescendo nesse ambiente, até que ficou adolescente. Começou a namorar um rapaz que morava na vizinhança e, com o namoro, o seu tormento. O pai, muito violento, não aprovava o namoro da filha. Disse que se a encontrasse com o namorado não teria idéia do que seria capaz de fazer. A mãe tentava remediar a situação. Mas a opinião dela não valia muito. Pelo contrário, só instigava ainda mais a  ira do marido. Depois dessas discussões,  ele  saía para os botequins e bebia até  altas horas, quando voltava novamente para casa completamente bêbado.

A filha já não suportava mais aquela situação dentro de casa. Os dois outros irmãos dela, já haviam saído de casa por causa dos  maus-tratos do pai. Ela pensou fazer o mesmo, mas tinha medo de deixar sua mãe sozinha na mesma casa, sob ameaças constantes. Ela pensava que estando em casa com a mãe, poderia ajudá-la em caso de necessidade.

Essa realidade reflete passado mal resolvido
Foi numa noite de agosto de 1986. Ela se lembra como se fosse hoje. O pai chegou em casa, vociferando palavrões. Parecia possuído por uma força estranha. Mas na verdade, era o efeito do álcool que o deixava agressivo. Chegava procurando comida. Se algo não lhe agradasse, quebrava tudo dentro de casa e partia para a agressão contra a esposa. Nessa noite,  ele chegou como de costume, bêbado. Já não estava bem no emprego por causa do vício. Estava a ponto de perder o emprego. Os familiares dele já não o procuravam há muitos anos, por causa de seu temperamento que piorava com a bebida. Ao chegar em casa e pedir comida, não se agradou, dizendo que estava salgada e, no mesmo instante, jogou o prato de comida contra a parede. A filha tentou chamá-lo à razão e foi agredida por ele. Ela sofreu ferimento na cabeça. A mãe, para defender a filha foi tirar satisfação com o marido e da mesma maneira foi agredida. A vizinhança percebeu a confusão e chamou a polícia. Ele foi preso. Filha e mãe foram socorridas a um pronto socorro para tratar dos ferimentos.

Hoje essa filha lamenta. Gostaria de ter tido momentos felizes em família. Mas para ela, família feliz era coisa de ficção. Não era a realidade em que vivia. Foram momentos de tormentos e aflições, desde seus tempos de criança, quando sonhava passear na  “cacunda”  do pai, dar uma voltinha de bicicleta nos fins de tarde, ganhar uma boneca, tomar um sorvete no parque. Do pai, ela mão tem boas lembranças. Nunca recebeu um carinho ou um abraço.
O álcool ainda é uma droga permitida
que ajuda a desencadear a violência doméstica.


O pai faleceu com doença hepática por causa da bebida. A mãe, sofre de depressão profunda pois não conseguiu se desligar do passado triste que viveu.

Mas  hoje essa filha vive uma vida diferente. Casou-se com um bom homem. Ao contrário do que foi o seu pai, ele é carinhoso com os filhos e muito presente.  

Na vida temos sempre novas oportunidades para fazer diferente. É o auto-conhecimento sobre nós mesmos e a nossa história de vida, que pode tornar o futuro menos traumático. É comum vermos pessoas presas à sua história de vida  como se agora  fosse uma obrigação levar consigo essa carga e  as sombras do passado que destroem a alegria de viver.  Não adianta passarmos a vida inteira lamentando o que nos aconteceu,  sem  tomarmos uma decisão de começar a trabalhar pela mudança necessária para que nos  tornemos melhores a cada dia.  As vezes nos prendemos ao passado, como se fosse o nosso refúgio. Nos isolamos dentro dessa realidade e não nos permitimos a chance de viver sem medo. Tememos “apagar” a nossa história, o que de fato não conseguimos. Mas a nossa reflexão e conhecimento sobre o que se passou, é elemento que não devemos desprezar no processo de aceitação das condições necessárias para o nosso restabelecimento. Certamente, nossos sentimentos tem muito  a ver com o que pensamos e, o que pensamos, tem muito a ver com o que aprendemos e vivenciamos. Um outro pensar e um outro olhar, e um outro aprendizado, são capazes de causar mudanças, também em nossos sentimentos. Algo melhor só poderá ser experimentado em nossa vida, se decidirmos renovar a nossa maneira de pensar. Os pensamentos destrutivos com os quais vivemos no passado, construídos pelas más experiências e que alimentaram os nossos sentimentos, poderão se tornar elementos a partir dos quais poderemos dar uma nova sequência, desviando-nos do rumo iniciado. É uma corrente que pode ser quebrada. 

Viver a alegria hoje, não significa ignorar o passado
mas é uma prova visível de que podemos decidir
pensar e sentir diferente. 
O passado pode nos machucar, quando as cenas indeléveis em nossa mente nos fazem lembrar da violência sofrida, dos dissabores vividos, das palavras ofensivas que ouvimos. Mas o hoje, é a única oportunidade que temos de tomar decisões diferentes, escolhendo o que queremos para a nossa vida. 

domingo, 8 de janeiro de 2012

PRA IR PRO CÉU, VOCÊ TEM QUE...


O trem da linha 33 Japeri estava lotado voltando da Central do Brasil. É muito comum até hoje, nos horários de pico, pessoas disputarem espaço melhor dentro dos vagões. É uma grande correria entre os que querem entrar primeiro. Alguns se acotovelam, esbarram-se uns nos outros; é comum  pisadas  no pé, e até mesmo gritos e xingamentos.  Quem está habituado com essa situação, já não estranha mais. Cada um acaba dando o seu jeitinho para viajar sem se importar muito com esse estresse do dia a dia.  
Em lugares considerados inapropriados,
muitos podem ouvir de Jesus


Foi num dia desses, voltando para casa, depois de terminar o meu trabalho na rádio em Nova Iguaçu, que entrei no trem, no momento em que os vagões eram esvaziados por passageiros que desceram naquela estação. Quanto mais o trem vai chegando ao seu destino final, mais vazio fica. Quem embarca nas estações mais próximas ao fim da linha, conseguem um melhor espaço, com mais conforto.

Vendedores que passavam de um vagão para o outro ofereciam de tudo: desde comprimidos para dor de cabeça, até biscoitos, pilhas para rádio e cortadores de unha. Entre esses “camelôs”, muitos pregadores do evangelho se misturavam, esforçando-se para serem ouvidos, falando em voz alta em meio ao tumulto do ambiente, e o barulho característico do trem com suas rodas  ruidosas  sobre os trilhos.

Eu estava ali, vivenciando aqueles momentos, até que chegava mais perto um homem de barbas longas, com uma roupa que destoava dos demais passageiros. Era uma espécie de túnica de cor bege, com um cordão amarrado na cintura.
Muitos leigos são criticados por exporem o evangelho
a seu modo nas ruas. 


Ali ele pregava, já com voz rouca e cansada: “Para ir pro céu, tem que parar de fumar, parar de beber, parar de  xingar  palavrão”...

Alguns olhavam para ele com ar de deboche; outros com desdém; alguns até se acotovelavam, chamando a atenção para o que aquele homem dizia e, repetidas vezes continuava o seu sermão, chamando atenção para as atitudes das pessoas como uma condição para se salvarem: “Para ir pro céu, você precisa fazer as coisas certas; não pode fumar, beber; não pode xingar palavrão.

De fato, eu fiquei muito pensativo sobre a fórmula que aquele homem usava para despertar a atenção das pessoas sobre o que deveriam fazer para entrar no céu. Certamente, estava repassando da maneira como aprendeu. 

Preocupação semelhante teve o jovem rico que procurou a Jesus para perguntá-lo o que devia fazer para ser salvo: “Guarde os mandamentos”, respondeu-lhe Jesus. Mas aquele homem conhecia os mandamentos e disse que já os cumpria. E, finalmente Jesus disse: ”Vá, venda seus bens e dê aos pobres, e terás um tesouro no céu”.

O conhecimento dos mandamentos, principalmente o amor a Deus e ao próximo, fazia parte da teoria de vida daquele homem. Mesmo assim, entristeceu-se  quando Jesus pôs seu conhecimento à prova: “Venda seus bens e dê aos pobres”.

Jesus, de certo modo, mostrou que o conhecimento e a teoria que temos, até mesmo determinado comportamento que decidimos adotar para parecermos bem diante das pessoas, não nos transforma na essência. 

A  Nicodemos,  Ele disse: “É preciso nascer de novo”.

Aí pode estar o grande segredo do milagre que passa a ser operado em nossa vida, por intermédio da graça de Cristo, por meio da qual alcançamos a salvação. O nosso primeiro  e último passo para a  salvação, é a nossa decisão de querer. Quem realiza a operação que transforma a nossa vida é Jesus.
A vida espiritual não pode ser definida por teorias
ou fórmulas humanas. 


Várias vezes nos deparamos com situação assim. Nosso comportamento considerado  inadequado, é colocado em primeiro plano, como um empecilho à salvação, no mesmo momento em que o cumprimento de regras de conduta, coloca-nos em uma situação melhor diante de Deus.

Aprendemos que para irmos para o céu, precisamos pagar penitências para alcançarmos por meio dos nossos esforços, a condição necessária para a salvação. A salvação não vem de nós mesmos. É pela graça, Dom de Deus.

Aparentemente, podemos deixar as práticas consideradas destoantes daqueles que seguem a Jesus e, até somos orientados a isso. Para alcançarmos uma vida digna numa comunidade religiosa, precisamos declarar que estamos de acordo com os pontos doutrinários considerados fundamentais  para   o  exercício  da  nossa fé e manter as boas relações institucionais e sermos reconhecidos como membros daquela comunidade por comportamentos compartilhados entre seus filiados, desde uma saudação diferenciada, a logomarca, o emblema; até mesmo os hábitos de leitura e outras orientações formalizadas por decisões institucionais.  Mas isso nada tem a ver com a salvação em Cristo. Não é isso que nos garante a Salvação. A salvação em Cristo não é tribal; não é exclusividade de grupos distintos que tentam se ajudar mutuamente a manter seus princípios inabaláveis por condutas que estejam apenas na superfície, na nomenclatura impressa nas fachadas dos templos.  

Primeiro a aceitação da nossa condição de dependentes da graça de Cristo. Essa é a decisão que cabe a cada indivíduo. É Cristo quem opera em nós, a mudança que precisamos. É o caminhar com Ele, que nos torna melhores a cada dia.

Todo o processo de salvação começa e termina em Cristo. Todos os métodos que utilizemos que fujam desse princípio e fim, são ações tolas pelos esforços meramente humanos e limitados. Todo o método ou maneira usada para nos aproximarmos de Cristo, se perderá pelo caminho e, afundaremos como Pedro, ao desviarmos o olhar do Mestre. 

Nenhuma fórmula religiosa; nenhum voto que fazemos diante de uma congregação; nenhuma  prática que faça ressaltar a nossa própria justiça e merecimento, devem estar em primeiro lugar, senão a aceitação de Jesus como nosso salvador pessoal.  


O fermento dos fariseus levedava a massa para que o sabor leve e suave do evangelho da graça de Cristo fosse alterado e se tornasse amargo. A leveza do perdão que Cristo oferecia,  era trocado por fardos pesados, difíceis de se carregar, por causa das fórmulas legalistas, que faziam com que a mensagem da salvação não fosse compreendida em sua essência. 
A morte de Cristo, rasgou o véu da separação, que impedia que pecadores  chegassem a Ele. Não devemos correr o risco de nos tornarmos fariseus modernos, tentando "recosturar" o véu do templo, tomando o lugar de Cristo como o nosso único Salvador e mediador diante do Pai. 

sábado, 7 de janeiro de 2012

NINGUÉM ME ENTENDE


Aquela criança chorava insistentemente. Todos os esforços de sua mãe para que o menino ficasse quieto em seu colo, foram em vão. Eu estava ali, naquela praça a espera do ônibus e fiquei observando. Ela oferecia brinquedo, mas nada adiantava. A criança esperneava, relutava, como se o colo da mãe não fosse o lugar onde gostaria de estar naquele momento. Na tentativa de assossegar a criança, aquela mãe – que parecia estar com a paciência no limite-  pegou um doce na bolsa e ofereceu ao menino. O choro estridente, ouvia-se de longe, por vezes, oscilando entre alto e baixo com pausas pequenas e chamava a atenção de todos ao redor. 
Liberdade é uma atitude de espírito

Aquela mãe parecia envergonhada, diante da situação em que chamava a atenção de todos que ali estavam. Talvez  por julgar o que as pessoas poderiam estar pensando dela. – Que mãe é essa que não consegue acalmar o choro de um filho? Naturalmente, é isso que se passa na cabeça de uma mãe, quando seu filho não se comporta como ela espera. Pensa no que os outros estão pensando dela e, muitas vezes, esquece de perceber o que a criança, de fato precisa naquele momento. É até compreensível. Mas é um motivo que leva a atitudes geradas pela impaciência.

E, talvez, o choro da criança não estaria sendo  compreendido naquele momento de tensão.  Foi então que numa ação brusca, com expressão furiosa,  aquela mulher,   colocou o menino no chão.  Ele mal andava. Devia ter seus quase dois anos de vida.
Percebi que o descer do colo passou uma sensação de liberdade àquele menino! Fiquei surpreso com aquela cena.
Nem sempre nosso grito pela liberdade
é compreendido. 


Os passos cambaleantes daquele bebê, rapidamente se dirigiam aos pombinhos que comiam milho  tranquilamente diante do chafariz daquela praça movimentada. O pipoqueiro parou de mexer a panela, e acompanhava cada movimento daquele menino. Os taxistas cruzaram os braços, olhando na direção da criança que tornou-se a maior atração naquele momento. O choro do menino  cessou e deu lugar a gargalhadas típicas de uma criança naquela fase, como se o mundo não existisse ao seu redor.  Foram gargalhadas despretensiosas, cada vez que um pombinho corria, fugindo dele por  sua aproximação.
Todo o espetáculo que fez, anteriormente, querendo desprender-se do colo da mãe, tinha esse objetivo.  Aquele menino só queria correr atrás dos pombinhos da praça!

Seus motivos são respeitados
por quem lhe ama. 
Quantas vezes você também chorou e seu choro parecia incompreendido? Quantas vezes, preso à vida e seus afazeres, você desejou sentir  liberdade como daquela criança, que só queria correr atrás dos pombinhos da praça? Sua alma chora. Mas Deus entende. Ele compreende o seu desconforto nos braços dessa corrida frenética pela sobrevivência. Deus entende os desejos do seu coração que as circunstâncias da vida lhe impedem realizar. Mas foi Ele mesmo que colocou à sua disposição uma vida plena de significado. Nas pequenas coisas, hoje, você poderá sentir a alegria de viver.

Precisamos nos sentir amados para vivermos felizes. A sensação de sermos compreendidos, nos dá segurança e confiança. É bem verdade que por mais que esperemos de alguém essa atenção, frustramo-nos no momento em que as respostas parecem não ser as que desejamos. No fundo, por mais força e segurança que sentimos em alguém, esse alguém é tão necessitado de amor e carinho como você também. Suas percepções são de igual modo limitadas à suas opiniões e visão de vida. É a partir deste momento  que precisamos canalizar nossos sentidos para algo mais profundo e espiritual que nos preencha esse vazio do coração. 

É preciso entender, que dificilmente nossos sentimentos serão compreendidos por quem imaginamos que os compreenda. Dificilmente seremos correspondidos da mesma maneira como entendemos que merecemos,  tendo como base a maneira como tratamos os outros. 

Esperamos a troca, a reciprocidade, mas o nosso sentimento e a maneira como pensamos de nós mesmos e nossas intenções, é diferente da maneira como somos vistos. Talvez esses conflitos emocionais, nos torne tão isolados em determinado momento, ou tão solitários, mesmo diante de uma multidão que nos observa alheia ao que trazemos no fundo do coração.  Viva sem criar muitas expectativas de retorno do que faz ao outro. Esteja sempre disposto a fazer por decisão pessoal, por filosofia de vida. 



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

POSSÍVEL PARA DEUS, POSSÍVEL PARA OS HOMENS


Deus sempre trabalhou para o bem estar dos homens. Se Ele é o Deus dos impossíveis, conforme declarações que costumamos ouvir, e se afirmamos que somos dEle, do mesmo modo,  impossibilidades não serão reais em nossa vida.
Já não é estranho aos nossos ouvidos a frase: “Vamos alcançar o inalcançável; realizar o irrealizável; ver o invisível”.
As possibilidades são vistas pela experimentação até
chegar ao que se pretende. 

Na esfera humana, tudo o que se alcança, é possível. 
O impossível é sempre impossível, obviamente. 


As vezes paro para pensar sobre alguns termos que ouvimos, que passam a ser tão comuns que não refletimos em seus detalhes.  

Na esfera das possibilidades, tudo é possível.  Por isso, por tão simples e redundante que pareça, é uma idéia que não conseguimos aceitar direito. Se alguém alcançou o “inalcançável”, será que o inalcançável era algo impossível mesmo? Esses termos tem um poder de motivação muito grande, mas parece que nunca conseguimos ver, de fato, aqueles que alcançaram o "inalcançável"; viram o "invisível"; superaram os "limites".  Se alguém supera limites, esses, de verdade, não existiam. O que chamamos limite, nada mais é que uma "barreira" criada diante do desconhecido, daquilo que não sabemos dominar. O que deve ocorrer nesses casos para que o "limite" seja vencido,  é a  aplicação da fórmula correta, os meios utilizados para esse fim. 

“O impossível para o homem, é possível para Deus”.  Há muito de óbvio nessas palavras. Deus é Onisciente, Onipresente e Onipontente. Ele diz a seu próprio respeito: “Os meus caminhos são mais altos do que os vossos caminhos; os meus pensamentos mais altos que os vossos pensamentos”.
O medo torna-se empecilho para realização de algo
que ainda não dominamos.  


Se para Deus não há impossível, a nossa fusão nEle, certamente fará tudo possível a nós.
Jesus disse: “Tudo é possível ao que crê”.   Percebemos que Jesus deu uma importante lição, de como as coisas poderão tornar-se possíveis a nós: crer.

Já o Apóstolo Paulo, nos deixou uma grande lição, de que  o impossível não existe: “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece”.  O Apóstolo falava de coisas da vida; das dificuldades que enfrentou; dos momentos de fartura e escassez; de saúde e de doença; de humilhação e exaltação. Nada disso interferiu em sua confiança em Cristo, que o possibilitava enfrentar esses revezes de maneira resoluta e destemida.

O medo torna-se uma ameaça às possibilidades. Tememos o desconhecido e aquilo que não dominamos, fazendo parecer que a impossibilidade é real. Na verdade, "impossibilidade" é o que colocamos ou colocaram na nossa cabeça. As experiências pessoais que vivenciamos  apontam  que tanto o medo, quanto a impossibilidade caminham juntos. Há aqueles que conseguem avançar em determinadas áreas da vida, enquanto outros desanimam no primeiro obstáculo. Aos poucos, todos passam a descobrir suas reais possibilidades e por elas trabalham com o objetivo de partir para o planejamento e ação realizadora. “No mundo tereis aflições” disse Jesus. Mas Ele completou dizendo: “Esforça-te, tende bom ânimo; Eu venci o mundo”.
Há sempre um caminho a ser percorrido para vencer o
que parece impossível ou desafiador. 


Há muitas coisas na vida que são superadas no plano natural, e gastamos tempo exercitando uma fé sem necessidade, e colocando no plano espiritual algo que deve ser tratado no campo material e físico. Muitas vezes caímos nos extremos de  espiritualizamos o que é material e materializarmos o que é espiritual. Quando há esse “choque” entre a nossa sensibilidade de entender em que “plano” devemos canalizar o nosso trabalho para alcançar aquilo que desejamos, percebemos que essa falta de “sintonia” deixa-nos perturbados quando a resposta não se opera como pretendemos.

A  operação do que consideramos “impossível” aos nossos olhos,  ocorre somente segundo os desígnios e planos de Deus. Ele não operará aquilo que para nós é impossível, se por trás de sua ação não houver a necessidade dessa operação. Há muitos relatos Bíblicos de fatos sobrenaturais, de ocorrências impossíveis diante dos homens. Mas em todos esses episódios, Deus agia segundo o seu propósito, não segundo os propósitos dos homens.  Quando Deus abriu o Mar Vermelho foi para o povo que estava cativo no Egito atravessar em segurança e dar provas de seu cuidado.  A resposta de Deus era imediata.  Quando o profeta Elias orou diante dos profetas de Baal, ele estava diante de um episódio em que mostraria o poder de Deus e quem era o Deus que ele seguia. Deus respondeu a oração e queimou o holocausto, não somente por causa de Elias, mas para que Ele fosse reconhecido no meio do povo. Deus responde as orações, não por causa de nós, apenas, mas pelo amor  dEle e por sua justiça e caráter. 
Há sempre um plano de Deus por trás das vitórias
que nos concede. 


Jesus foi claro ao dizer: “aquele que pede, recebe”. Ou seja, a resposta vem a todos que o pedirem. Para Deus não há pedido perdido. Todos eles são respondidos. Algumas respostas são entendidas pelo pedinte; outras precisam ser avaliadas segundo suas percepções espirituais e essa leitura ocorre naturalmente quando o pedinte mantém um relacionamento espiritual com Deus. Gastar tempo na meditação das coisas celestes, faz-nos entender a resposta que recebemos.

Não devemos “usar” a Deus somente no momento em que precisamos resolver algum assunto que foge ao nosso controle. Quando permitimos que Deus tenha o controle de nossa vida, tudo o que pedirmos certamente estará em conformidade com a vontade dEle. E pela vontade de Deus, tudo é possível.  

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A CULPA FOI MINHA



Ela sempre foi diferente das irmãs. Começou a namorar muito cedo. Dos 15 aos  17  anos perdeu as contas de quantos namorados teve, até que engravidou. Seus pais já não sabiam o que fazer para educar a moça. No bairro onde ela morava, todos comentavam sobre o comportamento dela; sobre as roupas que usava e a maneira considerada vulgar como se comportava.

Num ato impulsivo, adolescentes interrompem
sonhos por uma gravidez não programada.

O pai dela culpava a mãe, por não colocar "freios" na filha. Ao descobrir sua gravidez, ela tentou esconder dos pais, dizendo que tinha muita vontade de passar uns tempos na casa de uma tia, que morava em outro Estado. O namorado não quis assumir o filho e,  ainda sugeriu que ela fizesse um aborto. Como não aceitava a idéia de aborto,  resolveu ter o bebê  sozinha, longe do namorado e dos pais.


Foi nessa fase crítica de sua vida que marcou o dia da viagem, arrumou suas malas e rumou para a casa da tia por parte de mãe. Mas foi lá, que não teve como esconder o que se passava com ela. Os sinais característicos da gravidez apareceram. A tia ficou desconfiada, quando chamou a sobrinha para conversar. A moça confessou o que estava ocorrendo e pediu, pelo amor de Deus, que a tia não contasse nada a seus pais.

A tia considerou algo muito sério para esconder da família e, passados alguns meses, ela viajou à casa da irmã, para contar pessoalmente o que estava acontecendo com a sobrinha.
Seus pais ficaram suroresos com a notícia e, resolveram  então, viajar com a tia para ver sua filha, para saber como ela estava, pois, mesmo reprovando a atitude dela, era filha, e entendiam não poder deixá-la desamparada naquele momento.
Mas foi nesta viagem que uma tragédia aconteceu. Seus pais e sua tia morreram num acidente enquanto se dirigiam ao encontro dela. Foi um choque tremendo. Ao saber da notícia, ela passou mal e, pelo choque emocional sofrido, acabou abortando o bebê que esperava.
A sensação de não ter os sentimentos compreendidos
leva muitas vezes ao isolamento. 

Hoje, aos 42 anos, ela vive com uma de suas irmãs que a amparou, construindo um quartinho nos fundos de sua casa.  Desde sua dura experiência, jamais teve outro relacionamento. Solteira e depressiva, traz consigo um sentimento de culpa que paralisou sua vida. 


O passado a persegue dia e noite. Só consegue dormir com a ajuda de medicamentos fortes, que tem lhe causado grande  mal. Tentou buscar na religião acalmar sua alma, mas, ainda não conseguiu perdoar-se a si mesma.

As sombras do passado a perseguem. A imagem do acidente com os pais, tenta remontar em sua mente. Os dias vividos com eles,  as cenas em família, as festinhas de aniversário, os sorrisos, as broncas, os abraços, eram coisas que se perderam no passado que jamais poderá reviver. E isso a machuca até hoje.

O estabelecimento do diálogo, constrói uma relação
de confiança entre pais e filhos.


Não consegue mais sorrir. Jamais imaginou que sua atitude do passado, pudesse trazer tantas marcas em seu rosto e em sua alma.

É bem verdade que ninguém pode mudar o passado. Mas o tempo dá conta de si mesmo. O amanhã sempre refletirá o que vivemos hoje. Se não podemos prever como será o amanhã, podemos ser previdentes nas atitudes que tomamos agora. Não é possível voltar no ontem para refazer o que se destruiu. Mas hoje é o dia em que podemos tomar decisões conscientes. Mas existe o perdão. A sensação de sermos perdoados e de perdoar-nos a nós mesmos, é que revitaliza a alma. Isso não significa  minimizar a gravidade dos erros que cometemos, mas dar-nos a chance de recomeçar a vida, mesmo trazendo as marcas conseqüentes de nossas ações.

A fatalidade ocorrida com seus pais, não poderia ser prevista, pois não ninguém conhece o futuro.  Por isso mesmo, é que devemos viver bem com todos em todos os momentos. No que depender de nós, mantenhamos um coração puro e consciência limpa, com a certeza de que estamos fazendo o melhor agora.

Diante  de coisas que podemos prever, é possível  prevenir. Todos os atos praticados por uma ação impulsiva, podem trazer resultados não desejados. A escolha do nosso comportamento diante das nossas inclinações, pode educar-nos à prevenção. Há coisas  na vida consideradas irrecuperáveis - mas todas as coisas irrecuperáveis podem ser prevenidas com ações racionais, com base nas observações diante do que ocorre à nossa volta. A liberdade que todos nós possuímos para escolher a decisão a tomar, jamais deveria levar-nos à escravidão, ou prender-nos a circunstâncias que devemos assumir pela responsabilidade que contraímos. 

O isolamento, a sensação de fracasso, pode ser até o reconhecimento de atos que praticamos que nos levaram a um resultado que nos perturba. Mas jamais esse sentimento nos será útil para sobressairmos dessa sensação que nos aponta culpa, que tentam remontar o nosso passado, ou até mesmo, coisas do presente que nos ocorrem, diante das quais nos vemos sem saída,  estáticos, como se uma corrente nos prendesse impedindo que tomemos uma decisão. Tentamos nos proteger com o isolamento, pois temos medo de enfrentar a realidade, porque diante dela "cutucamos"  nossas feridas que, para serem cicatrizadas serão necessárias outras ações e tomadas de decisões. As vezes não nos sentimos  preparados e em condições de enfrentar essa realidade. A prostração e o isolamento, tornam-se uma fuga, mas que jamais conseguiremos apagar da mente. 

É preciso retomar a vida e usar essas experiências positivamente a ponto de fazer-nos entender, que não podemos mudar a realidade daquilo que nos ocorreu, mas o momento presente convida-nos a refletir a mudança que necessitamos para vivermos em paz com a consciência.