segunda-feira, 14 de março de 2016

O SEU MAIOR INIMIGO


As diferenças sociais não importam muito. O que impota são os valores pessoais. Ser rico honesto, ou pobre honesto, os igualam nos valores imateriais. Ser rico ou pobre desonesto, os igualam de igual modo. O pobre honesto não se vitimiza por sua condição nem busca culpados por sua situação social e econômica. O pobre honesto é aquele que reconhece que sem trabalho e oportunidades não é possível avançar; é aguerrido e busca seus objetivos com verdade e sinceridade. O que pesa não é o que você tem ou não tem, mas o que fez para adquirir e conquistar, ou o que pretende fazer para mudar sua própria condição.  


O rico honesto não pode ser sonegador; não mente para o fisco, nem adquire bens e escamoteia informações de sua origem, não explora o pobre; reconhece seu dever humano de amar e compartilhar. O grave problema que vivemos nos dias atuais é a tentativa de colocar pessoas guerreando contra pessoas, enquanto que a motivação individual pelos sonhos, planos e objetivos, se encerra nas discussões sobre quem é o culpado. É preciso rever os valores espirituais, não apenas os materiais. O orgulho, a vaidade, e outros tantos vícios morais é que tem destruído a humanidade em todos os sentidos.Em suma, ser honesto é saber quem você é e o que são os outros, e o que você pode fazer por si mesmo e pelos demais.É saber qual é a sua parte e cumpri-la. Descobrir os inimigos em si mesmo, e combatê-los. 

O seu maior inimigo é aquele que domina a sua mente e seus pensamentos. O que fazemos com nossas mãos e com nossos atos, é apenas uma resposta do comando imaterial do ser. Dificilmente uma mente dominada pelo engano se sentirá culpada de possíveis erros cometidos. 

domingo, 13 de março de 2016

"NÃO HÁ UM JUSTO SEQUER"

Deus olhou para a Terra e não viu um justo sequer (Romanos 3). 

Olhando depois, viu a Noé, Ló, Jó, entre outros. O que Deus considerou era que esses homens tinham características comuns, que os colocavam em estado de justiça. Eram tementes a Deus e se desviavam do mal.

A Bíblia fala dos limpos de mão e puros de coração. Salmo 24:4 diz: "Aquele que tem as mãos limpas e o coração puro, e não se entrega à mentira, nem age com falsidade." Este subirá ao monte do Senhor. 

O fato de "não haver um justo sequer" não é uma espécie de licença ou condescendência com a injustiça. É uma constatação que mostra haver, por outro lado, a escolha que podemos fazer pela justiça. "Quem nunca pecou, atire primeira pedra", como defendeu Jesus a pecadora, não promove o pecado, mas leva cada indivíduo a refletir sobre suas mais profundas intenções e suas atitudes consumadas. 

"Vai e não peque mais", foi o pedido de Cristo àquela mulher, livre da morte. 

Não há margem para desculpas quando lemos: "Pode o etíope mudar a cor da sua pele e o leopardo suas manchas?
Mas nós podemos escolher fazer o bem, mesmo tendo tendências para fazer o mal". (Jeremias 13:23). Sobre cada indivíduo recai a responsabilidade por suas escolhas. 

Não existe "justiça de Deus" e "justiça dos homens". Existe justiça. Ela é definida por sua própria essência que ultrapassa as argumentações humanas ou teses de defesa de um réu. A justiça acusa no "tribunal da consciência" onde nenhum advogado, juiz ou promotor tem acesso. "Cada um julgue-se a si mesmo." Essa é a essência da justiça. 

Se praticássemos a justiça, com base no amor ao próximo, que é a lei universal, jamais teríamos causas levadas aos tribunais e nossa honra colocada em dúvida. 

O momento em que vivemos como cidadãos ativos na sociedade, ao mesmo tempo em que dizemos amar a verdade, é dramático. Quando o Cristão toma algum partido nessa hora, acaba sepultando em vala comum a honra daqueles que se desviam do mal e não agem de maneira fraudulenta. A diferença não é a possibilidade de errar, mas a escolha de desviar-se do mal e manter-se limpo em meio à corrupção e mentiras. É isso que temos observado dos partidários políticos. O cenário não é satisfatório para levantarmos bandeiras, seja elas quais forem. A defesa da justiça e da honra, contudo, deve ser o alvo de todo aquele que se desvia do mal e que ama a verdade. 

Não é raro ouvirmos e lermos repercussão de frases de efeito e acusações de um lado corrupto para defender o outro lado, também corrupto. Estar ao lado de homens, levando para o pessoal o que deveria ser analisado profundamente na esfera espiritual, é disseminarmos pedras pelo caminho, nas quais tropeçamos por confiarmos naqueles que se autodenominam justos e inimputáveis. O orgulho faz com que levemos para o pessoal essas discussões e passamos a defender crimes de uns, pelos crimes de outros, e assim, permanecemos na escala das trevas. É uma luta de jogo de palavras que em nada contribui para a busca de soluções. 

Todo homem tem tendências ao erro, por isso erra. Porém, o reconhecimento de seus erros, independentemente das consequências que pode sofrer, ocorre quando abre espaço para o espírito da justiça e da verdade. Aqueles que se desviam do mal, mantendo suas mãos limpas e coração puro, que não acusam com mentiras. 

Avaliemos nossa condição e observemos a inclinação que adotamos em temas que nos afetam diretamente. O que seria praticar justiça? Quando a injustiça nos beneficia, deixaria de ser perniciosa em sua essência? 

O mal não é só mal pelos efeitos que produz, mas pela causa, por sua natureza, ainda que, de algum modo, nos beneficiemos dele. Por outro lado, a bondade e a justiça, o amor, a compaixão e solidariedade não necessitam dar explicações para suas ações. Quem erra precisa de advogado. Mas a justiça advoga-se a si mesma, pois se respalda na verdade. Cada ser humano, em suas faculdades mentais sadias, pode julgar-se a si mesmo. Não poderá deparar-se no espelho da alma mantendo suas mentiras. De que lado você está? O amor, a verdade e a justiça não tem lado, porque é algo que está acima de nós. 

sexta-feira, 11 de março de 2016

REVENDO CONCEITOS

O que ocorre depois de revermos nossos conceitos? Até quando vamos nos debruçar no meio termo do politicamente correto e deixar de lado questões pontuais e decidir entre a vida e a morte, entre o certo e o errado, entre o bem e o mal? 
Jesus já havia orientado com muita precisão no passado sobre isso, dizendo: "Ninguém pode servir a dois senhores e agradá-los ao mesmo tempo; se agradar a um, desagradará ao outro."  

Tomar posição exige "desapego" a um, para apegar-se a outro. Não existe decisão sem perda, por mais dolorosa que essa decisão seja. É preciso abrir mão de algo para obter outro. A lei da física prevê que "dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo". A presença de um, expele o outro. 

A campanha de "desconstrução" de valores e a relativização da verdade, respaldando-se na depreciação do gênero humano, nivelando a todos na mais baixa escala, como se não houvesse mais saída, acaba "educando" uma geração no campo da mornidão e permissividade, tornando-a vulnerável a todos os ventos de argumentos e posições, sem o senso crítico, sem uma base sólida para defender-se diante dessas imposições administradas de maneira sutil.  
Mas será que estamos preparados para tomar mesmo decisões, preferimos viver displicentes, apenas reagindo aos acontecimentos que ocorrem em nossa vida? Até que ponto as informações e conhecimento que adquirimos, ou as percepções que acumulamos nos tem feito tomar posições? 

Talvez seja isso que vem fazendo a diferença na vida das pessoas, seja de que lado estejam. O meio termo, a "mornidão" é o esconderijo de nosso real caráter, ou de nosso desconhecimento de causa sobre o que está exposto diante de nós.  Observe as suas referências. Após rever conceitos é preciso o próximo passo. Substituir conceitos, mudar de atitude, renovar o entendimento. Não há ninguém que fará isso em seu lugar. 

quinta-feira, 10 de março de 2016

COMIGO NÃO ACONTECEU NADA

Por mais "em paz" que estejamos, não estamos longe de conflitos e tragédias humanas e isso nos afeta e comove. Mas é preciso ir além disso. 

É um grande alívio quando há certeza de que aquele acidente não afetou seu parente. Que aquela notícia que alguém lhe passou a respeito do desastre estava equivocada,  e o que parecia um grande drama, deu lugar ao riso de alegria e abraços de comemoração.  É preciso ter grande cuidado e cultivar uma maturidade espiritual para que a esperança não nos torne pessoas frias, achando que tudo é assim mesmo, e que a vitória é lá no fim.  Como pode, por exemplo um pastor de igreja dormir tranquilamente, sabendo que um membro de sua igreja foi para a cama sem poder dar de comer a seus filhos? Precisa ter "inteligência emocional." É isso que a psicologia moderna ensina? 

É um grande alívio quando aquele ônibus que você perdeu e o deixou irritado por não tê-lo alcançado, não chegou ao seu destino; quando a enchente que passou arrastando tudo perto de sua casa, passou longe de seu portão. Mas, quem foi mesmo a vítima que se acidentou? E aquela família que teve que sair às pressas da casa invadida pela água da enxurrada? E a família que aguarda a confirmação dos nomes da lista de passageiros que foram internados no hospital?

Comemora-se quando o alarme é falso. Quando o diagnóstico está errado; quando o telefonema avisando o sequestro do filho  era um trote. Comemora-se porque o amor que une a família naturalmente é  centrado ao núcleo familiar, ao círculo de amizades. É natural as pessoas serem afetadas diretamente naquilo que tem relação com seus interesses.
Mas ao considerar o fato de que  todos somos  parentes, do mesmo modo comemoramos o alívio do outro. A dor que dói no outro, também dói em você. Mas há os que perdem a sensibilidade a tal ponto  que não conseguem  se tocar nem com o sofrimento, nem com a alegria dos que estão a sua volta. Seria isso normal?
-Mas olha como está o  seu amigo, cheio de hematomas pelo corpo, disse o repórter de uma rádio local ao homem na sala da delegacia de polícia.
-Comigo não aconteceu nada, respondeu de imediato ao repórter.
Os dois haviam acabado de escapar pulando o muro da clínica psiquiátrica onde estavam internados. Recolhidos pela polícia, aguardavam a chegada do responsável por eles na delegacia para depor e liberá-los.
Curiosa a resposta daquele paciente psiquiátrico ao repórter: “comigo não aconteceu nada.” Sim, havia o que se comemorar. Mas o companheiro de fuga dele estava machucado.
Será que é loucura pensar assim? Passar adiante, mesmo percebendo que alguém, no canto da rua se queda? Manter os passos velozes pela pressa, e muitas vezes fugir de situações que não quer enfrentar? Assistir o sofrimento alheio, ao mesmo tempo em que diz: “comigo não aconteceu nada?”
Os extremos são perigosos.  Tanto não se solidarizar com o sofrimento do outro, quanto abalar-se demasiadamente. Mas ninguém tem um botãozinho liga/desliga para acionar ou neutralizar as emoções. O que vale agora é a reflexão no momento em que aparentemente está tudo normal. O que você pensa a respeito disso? É exatamente o que vai se manifestar na hora do enfrentamento da situação. Ao fazer uma simulação mental a respeito de alguma possibilidade, imagine-se na cena construída. O que você visualiza é o que assimilou e que provavelmente será refletido em sua reação.  


sábado, 27 de fevereiro de 2016

PORTE DE ARMAS É PALIATIVO CONTRA UM MAL INVISÍVEL

O que você sente ao vir um assaltante ser perseguido, baleado e morto? Quando vê alguém ser espancado, sangrando até à morte? 

Certamente, muitos consideram que, se é um bandido, tem que pagar! Mas, se você não soubesse quem era essa pessoa e o que ela fez, e vê-la sendo atacada, qual seria o seu pensamento? Seja qual for o pensamento, vítima e vitimado são seres humanos. Usamos mal o pensamento de que, "a árvore que não dá bons frutos deve ser eliminada." Aprendemos que aquilo que nos prejudica e nos tira a paz, precisa ser atacado e, assim, vivemos. Começamos a atacar os sintomas de um mal maior sem investigar onde começa. É esse "princípio" que leva o patrão a demitir seu funcionário que caiu em seu rendimento, sem saber o que se passa com ele; do professor que reprova o aluno sem entender o que dificulta o seu aprendizado. Agir diferente, é comprometer-se com o próximo. 
O homem não foi criado para se defender, nem para atacar. O homem foi criado para viver e servir uns aos outros. Não foi criado para ameaçar, nem se sentir ameaçado pelo semelhante. Ele foi criado para compartilhar, para promover o bem comum. O respeito de uns para com os outros não se obtém pela capacidade da força que se alcança. Mas é esse tipo de "educação" que o mundo vem recebendo ao longo de sua história. É preciso se armar para se defender. Mas se defender de quem? De quem ataca. Mas para quê ataca? Para obter mais do que o suficiente para sobreviver. 

O poder e a força tem sido usados para dominar, para subjugar os semelhantes. A partir desse ponto surgem as reações daqueles que precisam agora lutar para sobreviver, tendo o semelhante como seu principal inimigo. 

Quando na sociedade organizada observamos correntes que defendem com garras e dentes de que necessita armar-se contra os criminosos, percebemos o quanto retrocedemos no ponto que deveríamos defender, que é o de adotar o princípio pelo qual viemos a esse mundo. O homem portar uma arma com a intenção de se defender de outro homem, atacando-o, mostra o quão estagnados espiritualmente nos encontramos. As autoridades constituídas que não tem sido estabelecidas pela luz da sabedoria sustentada pelo amor, e acabam legitimando a desordem como um caminho para a ordem. Lavam as mãos de suas responsabilidades de orientar e ajudar, sem outros interesses que não o propósito de servir. Mas isso criaria uma sociedade fraterna que não interessa aos poderes predadores, que se sustentam pela celeuma e desordem. 

A corrente do bem não pode ser cortada, fazendo com que seres humanos lutem na escala do mal, aprofundando-se nas trevas do próprio egoísmo e orgulho, alimentando o espírito de revolta e vingança. A paz não se estabelece pela guerra; nem por ataques; nem por acordos e tratados. Pois, nesse ponto, alguém teria que ceder, se submeter; enquanto que a paz supera essa escala e opera harmoniosamente pela consciência do bem. Não existe paz mundial, sem que essa paz aconteça em cada indivíduo pela transformação da mente, pela mudança de perspectiva, pelo rompimento com as manipulações que sustentam os interesses dos que tem o poder de liderança sobre os outros. Já havia sido revelado ao Apóstolo Paulo que descreve em uma de suas cartas a seus irmãos, dizendo: "A nossa luta não é contra a carne e o sangue. Mas contra os espíritos da maldade que atuam na mente." 
Atacar a quem ataca, é dar mais força ao ataque. Matar a quem mata, é dar mais vida à morte. Essa corrente só se quebrará pela mudança de pensamento, pela conversão de nossos valores, transmitindo-os aos nossos semelhantes. Se estivermos dispostos a isso, certamente seremos considerados filhos de Deus: "Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeia, e orai pelos que vos perseguem e caluniam, para serdes filhos de vosso pai, que está nos céus, o qual faz nascer o seu sol sobre os bons e os maus, e vir a chuva sobre os justos e injustos." S.Mateus 20:43. 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

NÃO SE COMBATE CRIME, PRATICANDO CRIME.

É de estarrecer o "espírito" de justiçamento de uma sociedade que tenta livrar-se de criminosos, praticando crimes semelhantes ou piores. Vê-se, no fundo, a falta de amor ao próximo. Se a reação ao assassino é o assassinato dele, essa corrente criminosa só aumentará e trará desequilíbrio. Esse processo precisa ser quebrado para que uma outra realidade se estabeleça. Isso não depende de medidas adotadas pelas autoridades constituídas, nem no âmbito da segurança pública, mas de um processo que se inicia nas ações particulares de cada indivíduo, no que diz respeito à compaixão, à caridade; o compartilhar. O egoísmo e as ambições humanas, são fatores que desencadeiam as maiores séries de crimes e violência. O aprendizado da caridade eleva as pessoas a um outro nível de vida. 
A palavra "intolerância" nunca foi tão usada como está sendo atualmente. Mas o que precisamos não é de tolerância. Precisamos de amor. Quem tolera, por uma questão de aprendizado do controle emocional, pode cair na intolerância quando chegar ao "limite."

A "legítima defesa" não é legítima, quando fere a lei máxima estabelecida pelo Criador, e que se sustenta pelo ódio e espírito de vingança.  

Recentemente o Papa Francisco declarou ser contra a pena de morte e sugeriu sua extinção no mundo todo. "A lei não matarás é para todos" - declarou, citando um dos dez mandamentos. 

Eu ficava intrigado quando via motoristas xingarem pessoas que distraidamente ou propositalmente atravessavam a rua na frente dos carros.Tentava entender o que eles pretendiam com isso.Estariam eles preocupados com a preservação da vida dos que se arriscavam na travessia? Se fosse essa a intenção, por que os xingavam? Ou estariam, de fato, se sentindo ameaçados por um iminente acidente que poderia prejudicá-los? 
A ação e reação, segundo o plano de Cristo, é que se pague o mal com o bem. "Cortar a mão de quem rouba" é a mais baixa visão do ser humano, nas profundezas das trevas. Querem saber o motivo de quem rouba? Está disposto a ouvi-lo e dar a ele uma oportunidade? Isso não seria uma atitude humana. É exatamente por vivermos a vida nessa escala, é que o mal continua predominando e a corrente do mal crescendo.  
O ser humano precisa quebrar essa corrente que faz com que perceba com apenas o olhar que aprendeu a observar as coisas ao redor. É preciso avançar na dimensão do amor. Alguém que espanca, quem quer que seja, até a morte, tendo diante de si a oportunidade de baixar as armas, de recolher a mão; de cessar a ira ao ver que um semelhante seu, sem reação, ferido e subjugado se esvai em sangue, pratica ato monstruoso. 

Não existe justificativa para o ataque à vida de quem quer que seja, pois ninguém é justo suficientemente para se colocar na posição de juiz do outro e condená-lo, movido por revolta. 

Certa vez um amigo que tomou um grande prejuízo, ao lamentar-se da situação, finalmente disse: "...mas eu prefiro estar na situação quem tomou o prejuízo, do que na situação de quem dá prejuízo a alguém." 

Certamente, a conta daqueles que reagem desproporcionalmente é bem maior. Levar à morte por espancamento alguém que tentou roubar, por exemplo; ou usar armas, sejam quais forem, contra alguém sem a mínima condição de defesa, é malignidade, impiedade, injustiça. Que crime não é maior do que a falta de amor, se é a partir dessa falta de amor que se desencadeia todas as suas variantes? É a falta de amor a corrente que engrossa cada vez mais, onde pessoas se veem inimigas de pessoas, no cruzamento pelas ruas da cidade, na expressão do rosto, nos olhares; nas avenidas e no comportamento no trânsito. Estamos mais preocupados com as nossas próprias razões, segundo os nossos próprios critérios e juízo de valor. Assim, condenamos, massacramos, "atropelamos".

O ser humano deve permitir-se à regência desse amor. E isso é para todos. Aquele que viola esse princípio, incorre na prática da injustiça, pois a ele não é dado o direito de agir com malignidade sem sofrer as consequências reflexas, seja aqui agora, ou no futuro. Nenhum justo terá marcas de sangue em suas mãos, nem levará sob seus ombros o peso da amargura dos sonhos destruídos de alguém, interrompendo o fluxo de sua existência aqui na terra, onde enquanto vive, tem a chance de obter novas oportunidades. A nossa missão é fazer o bem, amar, cuidar, proteger, e isso jamais nos levará a matar para não morrer.  

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

EXORTAÇÃO POR DESCARGO DE CONSCIÊNCIA

O "Profeta" Gentileza do Rio de Janeiro 
em uma de suas atuações pelas ruas da cidade.
Exortar é uma ação que depende de um emissor e, para que tenha resultado, é necessário um receptor. Receber uma mensagem não é apenas ouvir com os ouvidos, mas escutar. Mas a quem escutar? Quem, porventura, está falando?

Exortação além de ânimo e coragem, transmite uma advertência ou conselho. Mas onde estão os exortadores e os conselheiros? De que maneira estão utilizando o conhecimento e suas experiências para ajudar pessoas a encontrar um caminho? A postura é de exaltação e supremacia, ou são atos e palavras envolvidas de amor, compaixão e interesse pelo próximo? 

Há maneiras de exortar que acabam humilhando, desqualificando, desrespeitando pessoas, e ao invés de promover reflexão construtiva, levará o ouvinte a uma ação defensiva e a julgar aquele que exorta. A questão passa para o lado pessoal:"Quem é você para dizer isso a mim; você é melhor do que eu?"

De que maneira exortamos? Discutimos e criticamos atitudes de pessoas, em vez de gastarmos tempo explanando amistosamente o que é ideal, tendo por base o que é real? 

Vivemos num momento histórico em que pessoas estão mais preocupadas com o que experimentam e vivenciam empiricamente, do que submeter-se a escutar um conselho ou advertência sobre determinado aspecto, principalmente se vem de uma fonte, de onde não se percebe humildade. 

Cada pessoa tem e sente-se no direito de escrever sua própria história sem interferências de sermões que, em muitas vezes, contrariam seus interesses. A consciência individual é que se torna o seu juiz. Foi isso que Jesus provocou nos fariseus, ao fazê-los despertar a consciência de que todos eles pecaram contra a mulher a quem desejavam apedrejar; ou de quem era aquela moeda encontrada na boca do peixe. As parábolas de Jesus são cheias de exortação, mas cobertas de amor, levando as pessoas a uma reflexão sobre sua própria vida e suas atitudes. Do exortador, espera-se amor; do exortado, a humildade. Sem esses elementos espirituais como condutores capazes de alcançar a consciência do indivíduo, a exortação não encontra lugar. 

Dificilmente pessoas deixam de praticar algo considerado nocivo, se não sentir necessidade para iniciar uma mudança de rumo. Alguns são capazes de assimilar os sinais, as reações e atribuir a determinado comportamento ou estilo de vida; outros pertencem àquela classe dos que "pagam para ver". O conselho, a exortação e a advertência dada a alguém não funciona necessariamente como um precedente para que faça alguma escolha. 

Um profeta traz em si, uma necessidade, ou até mesmo abraça a causa como uma missão de conjecturar, alertar, mas não tem o poder de levar pessoas a atenderem aos conselhos, e nem deve esperar por isso; nem alimentar em si a vaidade pelo desejo de ser ouvido ou atendido; nem mesmo de se beneficiar de seu caráter de "profeta". 

Aquele que exorta, o faz mais por descargo de consciência, pois dele mesmo se cobra o cumprimento dessa sua peculiar atribuição.